segunda-feira, 22 de maio de 2017

Apocalipstick, de Cherry Glazerr


Formada em 2013 em Los Angeles, a Cherry Glazerr é uma banda de gente muito jovem, liderada pela quase adolescente Clementine Creevy. Tendo lançado álbuns divertidos e com cara de passatempo juvenil  — Papa Cremp, de 2013, e Haxel Princess, de 2014 —, o power trio retorna em 2017 com o energético e consistente Apocalipstick.

O novo álbum transpira o bom e velho rock 'n roll, mas com um frescor peculiar. Soa melhor ajambrado e revela algum crescimento em relação aos anteriores: uma melodia melhor que a outra (algo que já vinha se anunciando), riffs pegajosos, guitarras, baixo e bateria empolgantes, por vezes furiosos. Se sonoramente a banda resgata um quê de pós-punk e até do grunge, as letras, por sua vez, passeiam da leveza à profundidade com eficiência e charme. Continuam falando de juventude e de situações corriqueiras, com humor e autoironia, só que agora também abordam a dor, são melancólicas ou até desesperadas. Há espaço para a frase de efeito inflamada, mas também para a poesia.



Em "Trash People", Creevy canta "We wear our underpants three days in a row / My room smells like an ashtray". Em "Humble Pro", temos uma ode à comida, porque parte ser jovem é estar constantemente laricado. "Nuclear Bomb", a mais lenta disco, tem seu lirismo: "Her smile shines through the desolate crowd / Her heartbeat fell through the cloud like a painted picture", e nos embala com o refrão um tanto grunge e surreal "All the souls are swimming in a bathtub / Up above, up above, up above". Em "Only kid on the block", podemos sentir a tristeza de quem começa a perder inexoravelmente a inocência: "I feel five years behind / Gasping for breath / One day at a time / I am sick inside, so dumb / The sun will mask my pain / It's all the same", e Creevy repete  de forma desolada e insistente: "Why can't I be alone? / I'm like a dog at the door" (que frase maravilhosa, a propósito).  Em "Instagratification", o tom já é ácido e inconformado, e ao mesmo tempo muito lúcido: "Instant gratification / I need validation / Till your eyes burn. Saturation!! / Fucking lazy recreation / I am an offender myself / I'm a hypocrite at least I know it / Quiet violence / pointless garbage / Can't act the same on public transit".

Apocalipstick, além de sonoramente vigoroso, é um disco verdadeiro tanto quando é superficial como quando é sério. E isso revela já alguma maturidade.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Jack and Eliza

Tenho ouvido bastante o álbum Gentle Warnings, da dupla novaiorquina Jack and Eliza. Nada de original: inspiração retrô, guitarrinhas distorcidas, corinhos jazzísticos e pegajosos, mas naquela vibe musiquinha feliz e dançante para embalar as obrigações cotidianas. É muito agradável porque as músicas são, de fato, bonitas. Sonoramente, lembra o Best Coast, mas eu diria que Jack and Eliza têm letras melhores, mais lirismo, mais melancolia e harmonias consideravelmente caprichadas, que tornam seu álbum um pouco mais polido. O som da dupla também é um tanto mais etéreo e delicado que o da dupla de Los Angeles, especialmente porque a maioria das canções conta somente com duas guitarras e um pandeiro. Isso mesmo: nada de baixo ou bateria. Sem contar que os integrantes têm vozes lindas que combinam perfeitamente. "Oh No" denuncia uma possível inspiração nos Beach Boys. Destaque para as três primeiras: "One too far", "Oh no" e "Quarter Past the Hour" (minha favorita). "White Satin" é mais sofisticada e associa de forma interessante uma melodia doce com efeitos psicodélicos.

Uma curiosidade: Eliza venceu o The John Lennon Songwriting Contest em 2010. 

A dupla se formou em 2012 e o Gentle Warnings é de 2015.



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sorteio do livro "Minha História das Mulheres"



Tá rolando sorteio no canal do ótimo Minha História das Mulheres, da Michelle Perrot - livro essencial para quem se interessa pela condição feminina e quer saber sobre os diferentes papéis que a mulher exerceu ao longo da História.


Esse livro já está resenhado no canal e vocês podem conferir no vídeo abaixo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Onde comprar colares literários

Tenho uma pequena coleção de colares literários, que sempre chama a atenção dos entusiastas das leituras. Compartilho com vocês os links onde eles podem ser encontrados. :)


Demorou um mês e meio para chegar e não fui taxada.


Mercado Livre. A vendedora enviou super rápido e vem numa caixinha bem bonita.


Demorou um mês e meio para chegar e não fui taxada.

Loja brasileira com muita coisa fofa.


Demorou um mês e meio para chegar e não fui taxada.
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Essa Menina, de Tina Correia



Publicado em 2016 pela editora Alfaguara, Essa Menina é o romance de estreia da autora Tina Correia. Narrado em primeira pessoa, traz as memórias de Esperança que, vivendo há anos na França e tendo nascido no Nordeste, na quase mágica Paripiranga, diz estar começando a esquecer das coisas.

Imersa numa cultura marcada por rituais, tradições e crendices que conferiam um caráter quase sobrenatural à existência, Esperança, apelidada de Essa Menina por seus familiares, fala de seu olhar ingênuo sobre a tradição regional, sobre política, guerras, comunismo e ditadura. Fala sobre a vida das mulheres nas décadas de 1930 a 1950 e sobre a perda da inocência.

A narrativa gostosa e fluida da carismática protagonista deixaram em mim um sabor de nostalgia por seu conteúdo corresponder ao das histórias que minha avó baiana me contava quando eu era pequena — canções, simpatias e crendices que fizeram parte da minha história familiar. Em tom de conversa, Essa Menina descreve a si mesma com um distanciamento bem humorado, de quem vê graça nos assoberbamentos da menina muito imaginativa:

No dia em que vim ao mundo, num bairro pobrezinho de marré, marré, marré, a luz elétrica chegou à primeira casa da nossa rua. Até então, invejava-se o brilho das casas e dos postes iluminados pela eletricidade a algumas quadras dali. Enquanto a energia não chegava, candeeiros e fifós clareavam nossa escuridão.

Mamãe e duas vizinhas, grávidas, acordaram agitadas naquele dia. Não queriam perder um movimento dos preparativos da inauguração do palacete, mas na noite anterior, com as primeiras contrações, tiveram o pressentimento de que os filhos não tardariam a nascer, o que se confirmou. As filhas das vizinhas chegaram bem na hora da iluminação do jardim do palacete. Cerca de quatro horas depois cheguei eu, com a banda de música do Corpo de Bombeiros, que havia encerrado a festa da Casa dos Peixes tocando na minha porta. Vovô dizia que era para comemorar minha chegada e repetia sorridente a primeira impressão que teve ao me segurar:

— Eitcha, que essa menina nasceu uma coisitinha de nada, magrinha, feinha, uma titica de gente, só pele e osso, meio branca, meio preta, meio índia. Assim, meio barro meio tijolo. Os olhinhos pretinhos espreitavam a gente que nem jabuticaba no pé.

Vivia contando, orgulhoso, minhas façanhas para os amigos. “Olha só o que essa menina faz. Essa menina já fala tudo. Essa menina já sabe engatinhar. Essa menina já sabe andar.”
De tanto ouvi-lo referir-se a mim como “essa menina”, deduzi que esse era o meu nome. Sempre que eu queria alguma coisa, dizia: “Essa Menina quer dormir. Essa Menina tá dodói”.
E o apelido pegou. Em casa, na rua, na escola, só me chamavam de Essa Menina. Mamãe e papai, durante muito tempo, ficaram conhecidos como Sua Mãe e Seu Pai. É que eu cresci ouvindo os adultos falarem “chame sua mãe”, “cadê seu pai?”... Concluí então que estes eram seus nomes. E era assim que eu os chamava:

— Sua Mãe, Essa Menina quer comer.

— Seu Pai, vovô tá chamando.


O livro, no entanto, não é exatamente original, apoia-se em estereótipos em alguns momentos e perde bastante o ritmo, seguindo vagarosamente nos primeiros dois terços, com descrições detalhadas de inúmeros personagens e casos a eles relacionados; e correndo muito no final, quando Esperança amadurece e tem de se confrontar com o agravamento da situação política do país e com certos dilemas familiares.

Em entrevista ao jornal O Globo, Tina aponta suas influências: Gabo, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Dos três autores, bastante distintos quanto ao estilo, Jorge Amado é o único de quem se pode reconhecer uma aproximação possível. Não é preciso mirar tão longe para fazer um bom livro.  E se Essa Menina tem alguns problemas, não é uma estreia de todo má.



domingo, 28 de agosto de 2016

Liturgia do Fim, de Marilia Arnaud



Vídeo-resenha do romance Liturgia do Fim, da autora paraibana Marilia Arnaud.

Lendo Ficções: Funes o Memorioso




Mais um vídeo do Projeto Lendo Ficções, dessa vez sobre o conto "Funes o Memorioso".

Sorteio | Dois anos do Canal



Confiram o sorteio em comemoração aos dois anos no canal! Tem três excelentes livros, marcadores e uma ecobag fofa!
:)