quinta-feira, 26 de março de 2009

Tempo x memória


Sempre fui meio obcecada pelo quadro “A persistência da memória”, de Salvador Dalí, ainda que não o compreendesse direito. Aqueles relógios derretidos me deixavam intrigada. Quando descobri que se tratava de uma metáfora para o desejo do homem de flexibilizar o tempo, pensei: brilhante!
Há muito que me minha relação com o tempo é delicada. Eu, que sempre amei o devaneio lento, a abstração, a apreciação contemplativa, fui arrastada pelo tufão da vida moderna.
A modernidade nos aprisiona num labirinto de obrigações, tarefas, prazos, fazendo-nos reféns dos relógios. É uma rotina automatizada - acordar cedo, trabalhar, estudar, cuidar da casa, ir ao médico, a reuniões, pagar aquilo no dia tal.... Agendamos, inclusive, o divertimento.
O tempo foi otimizado, principalmente, na mídia, com informações bombardeadas em ritmo alucinante, fragmentando cada vez mais a nossa percepção. Nesse panorama, pouco espaço resta para a memória, que diante de uma grande variedade informativa, tem de ceder lugar. E aí se perdem experiências repletas de significado e sentimento, coisas gostosas da infância, "causos" engraçados, perfumes, cores, lugares, músicas que, outrora, cantávamos sem parar e agora cortamos um dobrado pra lembrar um único versinho.
Sou uma saudosista perdida na pós-modernidade. Vivo agarrada às minhas lembranças e experiências, através de agendas, álbuns, cartas, blogs. Queria poder sentir a vida ao sabor das sensações, dos desejos, das necessidades. Odeio o esquema burocrático da vida.
Pelo menos, ainda posso degustar minhas lembranças, sentir-lhes o doce sabor de coisa boa que, a despeito do tempo, ainda não me abandonou.

***

Escrevi esse texto em 2006, mas, atualmente, tenho tentado sofrer menos em virtude do tempo. Ainda bem que, graças à criatividade dos designers, ver a hora se tornou menos enfadonho. Vejam só:

Versões com timer:




Maçãs e pimentinhas: Pneu, para os rapazes:
Para os viciados (hehe):
Todos eles são daqui.
Há as versões de mesa, como os da Rosamundo:


Agora os meus. Esse é um vinil com pintura pop art, que encontrei na Terra Nossa, loja aqui do Rio. Lá tem vários desse tipo, com o Elvis, a Audrey Hepburn ou pin ups.

Esse de frigideira foi comprado numa viagem a Penedo:


Esse é o que quase me mata do coração todas as manhãs:



E vocês, gostam de relógios divertidos, ou preferem os clássicos?

***
Ouvindo: The Beatles - Happiness is a warm gun

12 comentários:

  1. adoro os divertidos!
    acho lindo um de vinil, que vi na loja do Brother Simion aqui em Sampa, e queria um desses vintage como os da Rosamundo..
    lindos!

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  2. Amei o seu de frigideira.

    É como diz meu chefe..o tempo falta.

    Eu mesma preciso aprender a otimizar melhor o meu tempo, pra sobrar um pouco mais pra mim. Ultimamente, meu tempo é, trabalho, filha, marido, casa. Pra mim sobra tão pouco...

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  3. again i dont realy know what the post is about the first pic captured my attention. salvador dali right? amazing.
    i am guessing its something to do with clocks and time. hihi
    xoxo
    mina

    www.thefabulousgirlsguidetofashion.blogspot.com

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  4. Pessoas ansiosas não se relacionam muito bem com o tempo, isso é fato. Acho que poderia (e queria) fazre muito, muito mais. Se penso nisso, me sinto desesperada. Eu não acredito que tenhamos apenas uma vida, mas acho que cada vida é curta demais diante da enormidade de coisas que a gente pode fazer.

    Pra vc ter idéia da minha relação de ódio com o tempo, uma vez teve uma reportagem do Fantástico onde, ao final, perguntavam quando tempo nós imaginávamos que teria durado a reportagem. Eu chutei 20 minutos. Foram 3. Isso explica minha ansiedade um pouco! rs...

    Seus relógios são lindos!

    B-jinho.

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  5. Os dois Aline! Meu gosto é tão excêntrico que gosto de misturar o clássico e o divertido.
    Esse seu relógio de pop-art é um máximo!
    Ah, Salvador Dalí é um dos meus pintores prediletos. Amo-o de paixão!
    bjokasss

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  6. amanhã eu te mando uma foto do meu relógio e do quarto vermelho (que virou depósito).

    se cuida pra piorar, mocinha!

    beijos!

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  7. meu love tem o do pneu e eu tenho o azul com som de vaquinha assassina, hehe!!!
    e quem foi o fotógrafo das fotos do post anterior? tô c ciúmes :P

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  8. Aline querida!
    Como vc escreve bem!
    Sabe q penso sobre o tempo exatamente como vc! Já tive uma relação doentia com o tempo, de tentar lutar contra, óbvio, inutilmente!
    A rotina, o esquema burocrático da vida me fez muitas vezes doente na tentativa de adaptar todos os meus anseios em uma única e curta vida. Hoje, com o tempo (veja a ironia), aprendi q há coisas na vida q não há como controlar, como por exemplo o pouco tempo q temos para tantas vontades.
    Aline, estou a tão pouco tempo nesse mundo do blog e estou maravilhada com as pessoas incríveis q venho conhecendo, e vc é a q encabeça a lista dessas pessoas encantadoras!
    Bjo amiga!

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  9. Ah! Tenho q falar! Vc tá um charme com esse lenço de bolinhas na fotinho do perfil!
    LINDA!

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  10. Vc sabe usar lenços como ninguém!

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  11. Amei o texto!
    "Eu, que sempre amei o devaneio lento, a abstração, a apreciação contemplativa, fui arrastada pelo tufão da vida moderna."
    Identifico-me completamente!
    E adoro relógios divertidos!
    Amei as pimentinhas e a frigideira!
    Beijo!

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  12. OS relógios de porquinho, vaca e galo eu já vi em lojas daqui...e quase comprei, rsrsrsr.

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