quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dica de cinema - "A Single Man"



Confesso que o que me levou a assistir A single man (Direito de amar) foi mais a indumentária retrô que o fato de ter sido a estreia do estilista Tom Ford como diretor. E, devo dizer ainda, que ao descobrir esse fato, fiquei com receio de o fime não ser lá essas coisas.

Graças à Santa Padroeira do Feriadão Bem Aproveitado, meus medos foram devidamente injustificados. O filme, que é uma adaptação do romance homônimo de Christofer Isherwood, narra a história de George (Colin Firth), um professor inglês de meia idade que, após perder o amante em um acidente de carro, tenta retomar sua rotina normal no dia seguinte. Talvez o filme não instigue pelo argumento, mas, acredite, traz agradáveis surpresas.

Já na cena inicial, tem-se uma mostra do apuro visual que marca toda a película: ótima fotografia e edição de arte, que elevam os frames à condição de belos quadros. As boas lembranças, ganham a solenidade do preto e branco, surgindo como o álbum especial e afetivo do personagem. Há, ainda,  uma oscilação das cores e da saturação, que casa com os estados da alma de George, compondo uma obra orgânica. Seus momentos de solidão e melancolia são traduzidos em cores e luzes frias, enquanto as pequenas belezas e delícias que teimam em lhe capturar a atenção - no dia que ele pretende para último - ganham vitalidade extrema, cor e carne, dialogando com as constantes citações de Aldous Huxley.

E aí vemos outro trunfo do filme: os belos diálogos. Em certo momento, George cita o autor de The doors of perception:  "Experiência não é o que acontece com um homem. É o que um homem faz com o que lhe acontece". Noutro, declara: "Não quero viver num mundo sem sentimentos!"

As atuações não deixam por menos. Colin e Julianne Moore, como a amiga Charlie, se doam em inúmeras passagens de extravasamento e confusão de alegria e dor. Moore sustenta belamente a complexidade de uma mulher abandonada e sedentária, afundada em luxo e vazio, mas ansiante por uma nova chance de amar.

Arrematando tudo isso, há o aparato sonoro bem produzido - porque não é só a bela trilha (a canção que fecha o filme é lindíssima) que dá o tom à trama, mas também a edição de som bem articulada, como na cena em que a chuva abafa o desespero de George ante a notícia do acidente, intensificando a carga dramática.

Ford provou que é capaz de transformar a sensibilidade empregada nas belas coleções da Gucci e Yves Saint-Laurent em códigos da sétima arte, com maestria similar.
Que bom!







5 comentários:

  1. Oie Aline,

    Eu amo de paixão (risos) o Colin Firth!!

    A trama parece ser boa, e o figurino da Julianne também está impecável. Valeu a dica.

    Beijos!

    changinroom.blogspot.com

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  2. quase vi este filme ontem tbm, acredita? acabei deixando esse pra depois, mas tá lá em casa, baixado, aguardando sua vez. nem li muito o q tu escreveu pra não perder as surpresas (hee!), mas só pelas fotos eu já fico babando pelo filme. Julianne = musa!

    beijo!

    PS: ah, vi Uma Noite em 67 na segunda-feira! adorei :)

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  3. Eu amo esse filme de todo o meu coração. Uma das coisas mais perfeitas que assistir nesse ano.
    Bjos

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  4. querendo loucamente assistir esse filme!!!
    pirei nos penteados da Moore!

    beijo

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