segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Playlist da semana: Proto Punk - Punk - Pós Punk



O Punk é uma das vertentes do Rock mais mal recebida e mal vista, dentro, inclusive, dos próprios roqueiros. Isso ocorre desde a sua associação com a baderna até a simplicidade extrema das músicas. 
Não vou entrar no mérito de uma das bandas icônicas do punk inglês, o Sex Pistols, ter sido fabricada por Malcom MacLaren, com direito a figurininho da Vivienne Westwood e tudo.
A questão é que o Punk tem sim sua importância e seus bons momentos, seja devido ao engajamento político, seja devido às pérolas inesperadas que acabou gerando.
Além de um movimento musical, o Punk é um movimento de contracultura dos anos 70. Nesse sentido, se opõe nitida e violentamente contra o status quo, criticando a guerra e a miséria dela oriunda. O underground, a falta de perspectiva e o ambiente de devassidão e drogas em que os jovens se encontravam nada mais é que subproduto da economia capitalista malfadada.
Por isso, os punks sentiam desprezo pela política vigente, simpatizando com a anarquia e o niilismo. Suas roupas rasgadas e remendadas, o faça-você-mesmo era uma manifestação de alheamento do sistema. O maior diferencial entre os punks e hippies, além do visual, é a crença na não-violência ghandiana, propagada pelos hippies e negada pelos punks. Na verdade, os punks não apóiam a violência e sim a agressividade social e visual, mesmo assim sendo pacifistas. Além disso, os punks possuíam, no geral, uma maior consciência do sentido político de suas atitudes contestatórias. Mas a gênese do pessimismo, do desejo de liberdade e do desencanto, que moveu tanto hippies quanto punks pode ser atribuída, pelo menos em parte, ao Existencialismo de Sartre, já na década de 40. E, foi de dentro dessa tradição questionadora, que surgiram os straight edges e muitos veganos, com propostas  éticas inovadoras.

No que diz respeito à questão musical, o punk se singularizou pela simplicidade extrema, com músicas feitas em até três acordes, o que significou uma ruptura, mas não chegou a constituir uma regra. Os Ramones, exemplo clássico dessa "inovação", se inspirava nas bandas dos anos 50, só que acelerando loucamente as músicas e resgatando as letras sentimentais e as jaquetinhas de couro.

Pra falar a verdade, não são os Ramones ou o Sex Pistols que me surpreendem nesse cenário. Fico encantada com a marginalidade do Velvet Underground, banda anterior ao movimento, mas que muito o  influenciou, ao incluir microfonias nas gravações, criar letras pessimistas e melancólicas sobre prostituição e drogas, tal qual garotos perdidos exercitando a criatividade das profundezas do esgoto. Ou então com o primor musical do Television, com canções enormes, bem executadas e oníricos solos de guitarra. Posteriormente, o Punk abriria portas ao New Wave, a intelectualização do punk, a sofisticação nas experimentações sonoras, com bandas angustiadas, como o Joy Division, ou nerd-cool (na falta de um termo exato, acabei de inventar), como o Talking Heads.

Quero deixar claro que só incluí na playlist bandas que gosto e, de fato, ouço. Vai ter gente me xingando por ter excluído MC5 ou New York Dolls, mas lembremos, esse blog é bem subjetivo e quase nada jornalístico.

A propósito, o Proto Punk está representado pelo Velvet Underground e pelo Stooges. O Punk, pelos Ramones, Sex Pistols,The Clash, Television e Richard Hell, e o Pós Punk, pelo Joy Division e Talking Heads.

Novamente, se alguém com conhecimento embasado do assunto quiser comentar, vou adorar. Tudo que escrevi saiu da minha falha memória e está sujeito a enganos.

Espero que gostem!

Quer entender mais sobre o Punk? Assista "Blank Generation" e "Warriors"

3 comentários:

  1. sabe que do punk eu não sou mto fã não!! Gosto do hardcore, rock e a msitura dos dois! hehe
    Mas ramones e the clash não tem como não gostar né!?!?

    ótimo post Li!!!! Gosteiiii!!!!

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  2. Gostei muito do post. Acho que é bem isso tudo mesmo.
    Amei o Nerd-Cool. rs
    E dessas bandas citadas tenho um 'quê' pelo Joy Division.
    Já assistiu CONTROL? É um filme de Anton Corbijn que conta a história de Ian Curtis. Um ótimo filme e com belo cenário.

    Bjo, mulher.

    :)

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  3. Essa postagem não empolgou muito...

    Gente, juro que vejo beleza e sensibilidade no Punk!
    rsrs

    "Dona Morini", eu adorei "Control"!

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