quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dica de cinema: Pleasantville (Uma vida em preto e branco)













Pleasantville (Uma vida em preto e branco, 1998) é desses filmes que têm um apelo fofuresco, capaz de divertir os mais distraídos, mas que trazem uma reflexão mais apurada, capaz de instigar os mais exigentes.

A imaginária Pleasantville é um seriado de TV da década de 50, embebido nos valores morais e anti-sépticos do sonho americano da época, com suas casas ajardinadas e famílias perfeitas. O antigo seriado é uma das paixões de David (Tobey Maguire), que vê em Pleasantville um mundo sem os conflitos e agressões, típicos da vida partilhanda com a irmã Jennifer (Reese Witherspoon), numa típica família desmembrada da década de 90.

Uma noite, um misterioso técnico de televisão (Don Knotts) percebe o imenso conhecimento de David sobre Pleasantville e oferece aos garotos um controle remoto especial. Ao apertar um botão, David e Jennifer são sugados para dentro da TV, transformados nos filhos em preto-e-branco de George (William H. Macy) e Betty Parker (Joan Allen), a família perfeita do seriado: Bud e Mary Sue.

No mundo "perfeitinho" e preto e branco de Pleasantville, não existe arte, sexo,  incertezas, ou chuva. Papai sabe tudo, mamãe empaturra a família de panquecas no café da manhã, o time de basquete nunca perde, e a vida segue um curso inócuo e previsível. Esse é o cenário do primeiro filme do roteirista de Quero Ser Grande, Gary Ross: uma fábula sobre a utopia e a afirmação da individualidade. O filme foi indicado para o Oscar de trilha sonora, figurino e direção de arte.
Enquanto "Bud" tenta convencer a irmã de que eles devem viver de acordo com as regras imutáveis do seriado para não abalar o mundo equilibrado dos personagens, a voluntariosa Jennifer logo coloca sua insatifação a serviço de uma saudável anarquia. Depois de despertar a libido do capitão do time de basquete, a ordem em Pleasantville nunca mais será a mesma. Com a descoberta de prazeres e possibilidades insuspeitadas em seu universo estático, a cidadezinha começa a se tingir com cores vivas, contrastando com a mesmice monocromática e com os defensores da antiga Pleasantville, ressentidos com a destruição de seu acalentado status quo.

Os sentimentos edulcorados dão lugar à raiva, paixão, ciúme e insatisfação, que acabam colorindo a cidade com os tons da vida como ela é, em efeitos visuais impressionantes, desenvolvidos especialmente para o filme.

As melhores cenas são protagonizadas por Joan Allen, a reprimida dona-de-casa que descobre tardiamente os prazeres do sexo e se apaixona por Mr. Johnson (Jeff Daniels, o mesmo ator que sai da tela em preto-e-branco de um filme para a vida de Mia Farrow, no maravilhoso A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen). Dono da lanchonete onde Bud trabalha, Mr. Johnson percebe sua paixão pela arte e pinta, com todas as cores proibidas pelas autoridades locais, um mural vívido dos sonhos que o conformismo deixou para trás.

Pleasantville aborda os perigos de uma sociedade que repudia a diferença e valoriza a ignorância. Desta forma, o filme faz severa crítica aos “pequenos sentimentos” como a mediocridade, a mesquinhez e a alienação que permeiam o dia-a-dia. E deixa-nos algumas questões a respeito da felicidade humana.  O que está em risco quando nos escondermos atrás de nosso conformismo e acomodação? O que nos impede de vivermos novas emoções a cada dia e sairmos do habitual? Uma coisa é certa: diante da realidade contemporânea, existe muito mais do que preto e branco. Sendo assim, o colorido que damos às nossas vidas é que determina o caminho para a felicidade e nosso bem-estar social. Mas, para que isso aconteça, é necessário que cada um de nós faça bem sua tarefa diária de imersão neste intenso universo de emoções. Nesse sentido, Pleasantville é uma ode ao hedonismo, à diferença e, sobretudo, à coragem.

14 comentários:

  1. Aline, eu não vi o filme ainda, mas fiquei super interessada em vê-lo.
    Depois de assistir volto para te contar o que achei.
    Valeu pela dica!
    :-)
    Bjão

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  2. Aline, eu já vi esse filme e é uma fofura. Achei muito bom, mas nunca mais vi na TV... uma pena, queria rever.

    Bjossss

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  3. BNossaaaa....assisti esse filme em milnovecentos e antigamente siauhsiauhiuhaiusha adoreiiiii relembrar..acho que vou querer assistir novamente...
    um beijo aline
    J^^h

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  4. Post magnifico
    fiquei até com vergonha do meu

    adorei a dica do filme
    depois vou ver se acho

    gosto muito do Toby
    bjs

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  5. Oi linda,esse filkme tava passando outro dia na HBO eu fiquei interessada mas não assisti agora não perco mais a oportunidade.
    bj amore!!

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  6. Como sempre, um comentário primoroso e que nos deixa curiosos pra conhecer. Bjs

    Jaci

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Eu adoooorooooo esse filme,já assisti muuitas vezes,amooo!

    bjs,Aline Aimée!

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  9. O mais complicado de tudo é encontrá-lo para locar (já que locadoras de DVD estão falindo...) e mais complicado ainda é comprá-lo em algum lugar.
    Snif...

    =/

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  10. Eu adoro Pleasantville!! Outro dia tava passando na tv e eu e o meu irmão paramos para assistir. É uma bela metáfora para a vida: temos medo do que é diferente, mas o fato é que a vida é muito mais interessante colorida!

    Beijos, gatona.

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  11. Eu adoroooo esse filme! Eu tenho aqui em casa em VHS, acredita?! rs

    Adorei o post sobre ele!

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  12. Vi há séculos na tv e na época me lembro que adorei o filme! Está na hora de rever...

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