terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dica de leitura - "Comer, rezar, amar" e "Comprometida"

Devo confessar que sou muito desconfiada quando o assunto é best seller. Em geral, livros muito populares costumam ser fáceis, seguem uma fórmula já conhecida, não surpreendem ou subestimam a inteligência do leitor - salvo raras exceções, é claro.

No entanto, biografias e livros autobiográficos costumam agradar até os mais exigentes porque têm a habilidade de inspirar. Saber dos momentos de superação do outro, aumenta nossa fé no poder do homem, logo, na nossa própria. É claro que acredito que as pessoas devam viver as coisas por si e aprender com elas, em vez de adotar os modelos indicados por outrem. Mas um relato autobiográfico pode nos ensinar sobre a vida e, sobretudo, sobre as pessoas, tanto quanto as conversas com os amigos.



Dois bons exemplares do que estou dizendo são os últimos livros de Elizabeth Gilbert: os afamados Comer Rezar Amar e Comprometida. No primeiro, a autora relata sua busca pela própria felicidade, após um traumático divórcio. Nessa jornada, ela redescobre o prazer da gastronomia e do ócio na Itália, mergulha num retiro espiritual na Índia e pratica o equilíbrio entre prazer mundano e plenitude da alma na Indonésia. Visto assim, só pela sinopse, é um clichezão tremendo. Mas o que cativa nessa história são os matizes de auto-ironia e investigação histórica com que Gilbert conduz a história, sem resvalar para o drama barato e açucarado. A autora oferece o exercício de auto-análise que lhe permitiu resgatar as rédias da própria existência, mostrando a importância do amor próprio. Sem cerimônias, revela as próprias falhas e compartilha a descoberta de que, dedicando-se aos próprios anseios com seriedade, é possível mudar a vida para melhor.



Em Comprometida, Gilbert desenvolve uma pesquisa sobre a história do casamento, com vistas a apaziguar a ansiedade diante do fato de que, devido a exigências da Imigração americana, terá de casar com seu namorado brasileiro (que conheceu em Bali), caso queira continuar com ele. A questão é delicada, já que o casal, oriundo de separações dolorosas anteriores, havia se comprometido a nunca oficializar a união. Mas o destino tem seus truques e eles se vêem obrigados a alterar o rumo.



Devo confessar que eu mesma era detentora de receios mais profundos em relação ao matrimônio. Filha de lar desfeito, vi vários dos meus parentes se divorciando desde pequena, então nunca levei a instituição muito a sério. No entanto, encontrei um grande amor e, surpresa!, resolvi casar - decisão pela qual não me arrependo. Logo, como vocês devem ter percebido, o livro tem lá sua relevância no contexto em que me encontro. 

Nele, Liz comenta os significados que o casamento teve no judaísmo e no cristianismo, em diferentes sociedades, diferentes épocas. A autora também compara pesquisas que mostram porque decidimos casar, mostra o peso civil do casamento na sociedade ocidental, discute porque os homossexuais fazem tanta questão de casar e conclui, surpreendentemente, que o casamento pode ser mais subversivo do que se imagina. Tudo isso com a linguagem bem humorada e um tanto quanto sarcástica que a singularizou no livro anterior.

Elizabeth Gilbert trata dos fatos com rigor, mas sem se levar demasiadamente a sério. Seus questionamentos e investigações são a respeito das escolhas importantes que fazemos, das decisões que tomamos, da responsabilidade que assumimos ou não diante da nossa vida.
Cativa, inspira porque discute e desnuda nossos conflitos mais constantes, porque incita a reflexão. Mas sem a arrogância de generalizar os temas, argumentar por axiomas ou nos indicar fórmulas simplórias de auto-ajuda.

#ficou a fim de comprar? então clica!

Comer rezar e amar

Comprometida

11 comentários:

  1. Ainda não comprei o segundo pra ler... Tô esperando ganhar de presente... hehehe

    Beijo.

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  2. Amiga, eu adooorei o COMER, REZAR, AMAR e estou louca pra ler COMPROMETIDA !!!
    Sei que vou gostar !!!
    Já virei fã da Liz Gilbert !!!
    Beijoooocas pra vc,
    Claudinha

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  3. Ainda não li o comprometida! Falaram que ela se mostra meio chata no segundo, preciso ler pra averiguar, só acho ela cheia de manias, mas é ótima escritora e é divertida né? beijo Aline!

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  4. Eu estou maluca para ler "Comprometida"! =)

    Bisous, querida!

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  5. Depois de ler a sua dica de leitura estou mais curiosa em ler estes livros... Pena que tenho outros na fila... Hahaha!
    Beijocas...

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  6. Eu bem tentei, mas não consegui acabar de ler o primeiro. Achei chaaato demais, muito auto-ajuda! Juro que tentei dar uma chance, insistir...mas não deu mesmo!

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  7. Você já passou lá no blog pra ver a promoção que eu estou fazendo?
    Estou sorteando biquinis lindos, corsets, fantasias fofas.
    Depois vai lá dar uma olhadinha e se tiver interesse ficarei muito feliz com a sua participação.
    Adoro seu blog.
    Beijos..

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  8. Cat e Ju,

    tive a impressão contrária de que ela se esforçou à beça pra não cair na auto-ajuda.
    Tanto pelo tom auto-irônico quanto pelas ressalvas de que aquelas eram experiências dela, as escolhas dela, e não um caminho ideal a ser seguido.

    Beijocas!

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  9. Li os dois: eu recomendo também ! Leituras deliciosas.

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  10. Eu acabei de ler Comer, rezar, amar. Não achei parecido com auto ajuda,mas concordo com vc quando diz que o livro se encaixa no contexto da vida de cada pessoa e me identifiquei muito.
    O segundo eu ainda não li, mas fiquei com vontade depois da sua resenha.

    Um beijo, te acompanho sempre.

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  11. Hehehe, eu também sou chata com bestsellers mas confesso que li Eat, Pray, Love e adorei! Não li Commited ainda mas está na fila...

    Eu leio muito então sempre tem uma pilha de livros na pilha da minha cabeceira. No momento estou lendo o mais novo romance de Michael Cunningham (de As Horas).

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