sexta-feira, 11 de março de 2011

Dica de cinema - Une femme est une femme

Hoje trago o filme Une femme est une femme (Uma mulher é uma mulher), um clássico do cinema francês!
É cult, é retrô! E tem a linda Anna Karina e o galã Jean Paul Belmondo.

Encontrei o filme inteirinho no youtube, com legenda em inglês, para o nosso deleite! Yey!

E acho que mesmo quem não entende inglês ou francês deve assistir pelo menos um pouquinho dessa obra prima de Godard, ícone da Nouvelle Vague.
Esse movimento artístico francês primava pela autoria e pelo experimentalismo, com uma linguagem que se caracterizava pelo repúdio aos moldes narrativos do cinema tradicional, através do amoralismo - próprio desta geração -, presente nos diálogos e com uma montagem inesperada, sem concessões à linearidade narrativa. 



















Aproveitando um roteiro extremamente simples, Godard explora as tensões que se desenvolvem no relacionamento de um casal, quando a mulher deseja intensamente ser mãe, mas o marido não concorda.  O diretor traduz para a tela, com brilhantismo, o comportamento da mulher da década de 60, após a repressão social e sexual sofrida nos anos 50.


O filme é repleto de metalinguagem: num bar, em uma pequena ponta, Jeanne Moreau comenta que está filmando "Jules et Jim" e, num outro momento, Alfred diz que à noite vai passar na TV, "Acossado", respectivamente de François Truffaut e do próprio Godard.

Além disso, Godard procura fazer um tributo aos musicais de Hollywood.  Tendo à frente da trilha sonora o grande Michel Legrand, a música está bastante presente ao longo do filme, variando do jazz às canções francesas, destacando-se o momento em que, no Bar do Marcel, Alfred vai até uma jukebox  e coloca "Tu te laisses aller", interpretada por Charles Aznavour, para Angela ouvir.  Num outro momento, ao ser perguntada 
por que está triste, Angela responde que é porque gostaria de estar num musical com Gene Kelly e Cyd Charisse, coreografado por Bob Fosse.

A justaposição de cenas descritivas e narrativas, compondo um híbrido de ficção e documentário, dão um tom ensaístico à película, que se revela icônica, representando uma época e homenageando a sétima arte.

5 comentários:

  1. Assisti esse filme há umas duas semanas e realmente é uma graça.

    Até me espantei, pois dificilmente vemos no gênero (comédias românticas) inteligentes, mas é Godard, né?!

    Ótima a semana do bar, onde o personagem não tem dinheiro para pagar a conta e aposta com o dono que ele vai dizer 'não'.

    Beijos!

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  2. dica anotada Aline.

    PS: achei lindo o guarda-chuva do post anterior

    Bjo

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  3. Um clássico! Goddard é para poucos... digo, infelizmente nem todos curtem os gênios... adoro truffaut tbm, teve um tempo que era fissurada, ótima lembrança!!
    Bjs.

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  4. Um ex namorado me dizia, com carinho, que eu parecia uma atriz saída de uma novelle vague. Achava isso tão "eu te amo" intelectual.. =)

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  5. Achei ótima a ideia do filminho por aqui. Repetindo, será bem vindo.
    =**

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