segunda-feira, 8 de agosto de 2011

(des)Dica de leitura: Paul McCartney: uma vida

Acho que posso ser considerada uma beatlemaníaca bem fajuta. Na verdade, sou uma fã mequetrefe em relação a qualquer artista que detenha minha admiração. Não tenho coragem de pagar quantias abusivas num show, nem sonho em mofar, quanto mais dormir, em fila pra assistir quem quer que seja. Já fui embora de casa de show, morta de cansaço, porque os Los Hermanos não se dignaram a chegar num horário aceitável. E não leio biografias. Não lia até agora.

Na minha primeira fase beatlelada, fiz parte de um fã clube e recebia uns fanzines amadores, que até davam conta da minha curiosidade. Em 94/95, quando o Anthology ressuscitou os Fab Four para as gerações que os sucederam, era possível encontrar revistas sobre eles com mais facilidade nas bancas, e eu amava especialmente a Revolution, que comprei enquanto encontrei. A revista trazia curiosidades acerca de gravações, fofocas biográficas, canções cifradas e traduzidas (fiz até aula de violão pra aprender a tocá-las) e lindos pôsteres. Durou pouco, infelizmente.



Meu resquício de entusiasmo se manifesta nos suplementos que revistas como Rolling Stone lançam. O mais recente, foi "100 melhores canções", que me intrigou devido à crítica de John em relação à própria banda, taxando metade das músicas como "lixo".



Daí que, lendo um jornal ou revista virtual, não lembro qual, esbarrei numa resenha que elogiava bastante a biografia do Paul McCartney, escrita por Peter Amis Carlin. Extasiada que estava dos shows recentes, resolvi comprar, mas ela definitivamente não correspondeu às minhas expectativas.



Pra começar, que nome mais xexelento e sem criatividade para uma biografia de um cara reconhecidamente inovador como Paul McCartney: uma vida é esse? Imaginei Macca se coçando de asco quando soube da publicação. Logo depois, descobri que ele tem uma biografia autorizada, intitulada Many years from now - bem mais a cara dele.

Vamos às raquetadas! Em primeiro lugar (já aviso que é um motivo torpe, então pule para o próximo parágrafo enquanto há tempo), como os quase 70 anos de Paul podem ser descritos em meras 408 páginas, quando a de Lennon, que morreu aos 40, tem quase 900? Não achei legal com o nosso Sir!

Mas falando sério, o que mais me incomodou foi a tentativa de Carlin em justificar as cretinices do Paul. Menos mal que ele não as omita, mas quem nesse mundo de meu Deus acredita que alguém seja coerente e bem intencionado em todos os momentos da vida? Paul pode ser um artista ilustre, mas é humano. Ele não precisa que alguém explique suas cagadas para continuar sendo amado. Na verdade, fã adora uma cagada! Não há alento maior que saber que seu ídolo é tão falho e inseguro quanto você, e que, logo, você é tão capaz quanto ele de se superar (ou não =/ ).

Depois de ler a obra prima de lirismo e referências que é a autobiografia da Patti Smith, Só garotos, fiquei decepcionada diante do tom monotonamente telegráfico da escrita de Carlin. Creio que seja um mal inerente ao estilo biográfico (estou errada?).

Acontece que, no fim das contas, tal leitura acabou tendo o seu quê de vantajosa: instigou-me a ler a biografia do John, o que estou fazendo agora, e a autorizada do Paul, que ainda não encontrei para comprar. Posso dizer que Philip Norman, apesar de certos momentos de monotonia documental, não está sendo nem um pouco condescendente com as patifarias de John, e estou adorando! Eis um mundo novo que se estende a minha frente! Será que tomarei gosto por esse aspecto mais privado da vida de meus artistas favoritos? Já anseio ler a bio da Clarice, tão comentada pelos amigos e revistas especializadas. E espero que seja inclemente!

9 comentários:

  1. Oi Aline. Também sou megafã do Paul (não do tipo que dorme em fila, mas do tipo que chega às 7 da manhã e que gasta o que tem e o que não tem pra vê-lo de perto). Enfim, encomendei essa bio dos States (prefiro ler no original) e ainda não chegou... =( agora, se vc gosta dos babados, recomendo ler John, da Cynthia Lennon. É muito interessante ler o lado dela, que sempre foi considerada uma qualquer, como se o John tivesse se casado com ela só por ela ter engravidado, e não foi bem assim... Enfim, é muito bom. Agora tô lendo a bio dos Beatles do Bob Spitz, é uma bíblia de tão grande, mas ~tô no começo ainda! =)

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  2. Adorei:
    "Na verdade, fã adora uma cagada! Não há alento maior que saber que seu ídolo é tão falho e inseguro quanto você, e que, logo, você é tão capaz quanto ele de se superar (ou não =/ )."

    Acho que você disse tudo quanto ao estilo da maiorias das bios. Os escritores acham que falar das falhas é o que conta na bio. Tudo bem que isso vende para o grande público... Mas a vida da pessoa não pode ser reduzida apenas a isso...

    Agora eu "tenho pra mim" (odeio essa expressão) que para fazer biografia a pessoa tem que ser, acima de tudo, um bom escritor e, só depois, um bom pesquisador-biógrafo.

    Beijos!

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  3. Ahh, quero ler esse livro do Paul!!

    www.ffash.com.br

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  4. Queria te pedir uma ajudinha

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    Desde já super obrigada pela força

    Bjoss

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  5. Hummm, eu já tinha ouvido falar dessa biografia do Paul, mas não tinha me interessado em ler por causa justamente da biografia dos Beatles de Bob Spitz. Ela é tão detalhada que não procurei nada mais deles para ler. Agora a do Norman, que eu li antes da do Bob, eu achei magnífica Line. Justamente por causa disso que você falou, ele não endeusa o John e é muito sincero com as palavras. Teve momentos em que eu fechei o livro de raiva, não do escritor, mas de John. Foi até um exercício para mim como psicóloga poder compreender em algumas atitudes dele todos os traumas que ele havia sofrido. Nossa, é uma viagem muito intensa. Acabei o livro mais apaixonada ainda por ele... Acho que você vai gostar muito.
    Eu, ao contrário de você, amo uma biografia. Já li todas que o Ruy Castro escreveu e sou fã. Me apaixonei perdidamente por Garrincha e por Carmem e quase me matriculo em aulas de violão depois de ler a da Bossa Nova.
    Uma que eu recomendo muito também é a do Kurt Cobain, Heavier than Haven. Crua, mas muito linda.
    Vou parar senão fico a noite toda falando de livros.
    Ficou lindíssima no look aí de baixo. Vou ficar olhando os mimos que você ganhou para ver se pego um pouco de sorte hehehe
    Beijos
    Tati

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  6. Comprei Só Garotos depois da sua indicação. Ameei demais. Infelizmente nem todas as biografias são tão bonitas como aquela.

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  7. Poxa Line... ler seu post me fez lembrar de algo mto mto mto cruel: Eu não fui no show do Paul!

    Isso me chateia todos os dias.. sério...

    Eu tenho um azar INCRÍVEL pra isso.. 3 vezes eu disse que não perderia o show quando viesse pra SP: Kiss, Mettalica e Paul... talvez por achar que esses shows nunca mais viriam pra cá.

    Os 3 vieram, e eu perdi TODOS!

    Pior, perdi por não ter alguém pra ir junto - pq acho um SACO ir em show sozinha. Mas em especial do Paul eu me arrependo de não ter ido com a cara e a coragem :(

    Não sou dessas que vira a noite com barraquinha e cobertor, mas quando consigo ir em algum chego umas BOAS horas antes... tipo meio período..

    Sobre biografias, nunca tive curiosidade de ler... e sobre as cagadas, elas têm simmm que estar lá... é isso que humaniza um pouco alguém que parece estar tão longe de nossa realidade.

    Bjokas Line :)

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  8. Amiga,

    Acredita que ainda não terminei a biografia dO John? Acho que pela patacada que são 900 páginas, mas eu tenho gostado muito, muito mesmo. É a primeira biografia que leio dos Beatles (parece que o mesmo Philip Norman é autor de Shout! outro livro bacana e bem embasado sobre o grupo), e estou amando muito. John era cáustico, egoísta, foi um péssimo pai pro Julian, mas havia algo nele de genial, de apaixonante, que fazia com que as pessoas quisessem ficar perto. Isso me instiga muito! Também fiquei curiosa pra saber um pouco mais sobre o Paul.

    Mil beijos, Aline!

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  9. Oi Aline!! Adorei o post! Me identifiquei muito com o ser uma fã mequetrefe hahahah acho que eu sou assim também!
    Mas pra ir pro show do Paul, fiz tudo o que foi possível e ainda não acredito que aquela noite tenha acontecido!
    Enfim... as críticas que eu li sobre o livro do Carlin não me entusiasmaram muito (embora a foto da capa seja maravilhosa)...
    Conta mais depois sobre a do John! Quem sabe...!

    Beijo!!

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