quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dica de leitura - "A odisseia de Homero"



Livros sobre animais sempre são piegas. Mas vamos combinar que "ojerizar" completamente o piegas tem seu quê de estupidez, porque se a pieguice não está relacionada a uma inteligência mais culta, ela definitivamente revela nossos melhores instintos humanos - a proteção, o cuidado, o amor. 

Quando criança/adolescente, não era muito chegada em filmes sobre animais, achava-os chatinhos. E então, depois de crescida, quando decidi ter minha gangue felina lá em casa, passei a namorar leituras a respeito dos bichanos. Minha mãe não permitiu que meu irmão e eu tivéssemos animais de estimação por causas das famigeradas alergias. No entanto, acabei descobrindo anos mais tarde que o real motivo era outro. Sentimental que só, minha mãe não suportara a dor de perder seus bichinhos amados (ela teve porcos e galinhas além dos pets convencionais), e tentou nos proteger desse sofrimento.

Já viram no que deu, né? Compensei 25 anos sem bichos com três gatos, #aloka! E olha, animais, do alto de sua sabedoria descomplicada, têm muito a nos ensinar sobre amor e superação. Que o diga o pequeno gatinho cego Homero.

A Odisseia de Homero narra não só a vida do bichano que teve os olhinhos removidos ainda bebê por conta de uma inflamação severa. O romance conta também a história de sua dona, Gwen Cooper. Vivendo uma situação de insegurança profissional e financeira, a autora talvez tenha aprendido mais com a força de vontade e lealdade de seu animalzinho do que ele com ela. O fato de nunca ter enxergado possibilitou que Homero desenvolvesse suas habilidades com uma desenvoltura inesperada, até porque ele não sentia falta de algo que nunca teve. Dotado de audição o olfato super aguçados, ele era plenamente capaz de saltar entre móveis, adaptar-se a diferentes ambientes e, pasmem, escorraçar invasores.

Muitas emoções compõem a vida dessa família (Gwen já tinha duas gatas quando adotou Homero), como o 11 de Setembro, que os separou por três dias, três mudanças, viagens de avião e um novo membro na trupe. Dificuldades que eles encararam e superaram juntos, como um time determinado a vencer. E Gwen, na posição de protetora de três criaturinhas adoráveis e bem peculiares, encontra-se diante da necessidade de traçar para si uma filosofia de vida, a ser reafirmada diariamente: em seu caminho, não caberão os intolerantes, os egoístas; amá-la será amar três gatos por tabela; conviver com ela exigirá dispor de um considerável tempo a ser dedicado com Homero, especialmente.

E claro, como não poderia deixar de ser, é uma história de derreter o coração na medida em que torcemos por eles, em que conhecemos suas provas de amor e coragem, em que rimos de suas estripulias, em que imaginamos sua carinha fofa entortando pro lado a fim de captar melhor a entonação das pessoas.

Cada capítulo, de média extensão e estilo enxuto, é epigrafado com uma passagem do poema grego que inspirou o título, dando o tom das próximas vitórias dos personagens.

Nessa biografia leve e inspiradora, Homero revela seu heroísmo ao nos ensinar que os obstáculos da vida prescindem de artimanhas épicas para serem superados. Coragem, confiança e lealdade - e um pouco de fofura - são sempre as melhores armas.

6 comentários:

  1. Awwww...fiquei com muita vontade de ler!

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  2. Fiquei curiosa para ler este livro, eu adoro estórias de gatos! Escrevi um post recentemente no meu blog (que você até comentou) sobre estes livros.

    Tomei a liberdade de deixar meu link como referência pra quem passar aqui e ler seu post:
    http://bethblue.blogspot.com/2011/10/gatos-famosos.html

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  3. Ai Line, parece ser muito emocionante. Um gatinho cego é para acabar com meu coração. Fiquei super curiosa... Também tive o problema de minha mãe não deixar ter bichinhos em casa e ainda sonho em ter uma casa e não um apertamento, para poder ter vários!!
    Tenho sentido falta dos seus comentários lá no blog ;) Passa para dizer um Hi!!
    Beijos
    Tati

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  4. Que super dica!

    Bjss e um maravilhoso feriado!

    http://toutlamour.blogspot.com

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  5. Eu, quando criança, adorava filme de bichinhos. Lembro de um filme de um gato laranja, acho que se chamava Chatran (nem sei como escreve). Adorava o filme pq a minha gata também era laranja.

    Um livro que eu gostei foi o Amor em minúscula, que apesar de não ser essencialmente sobre bichos, mostra a mudança na vida do personagem depois que um gatinho entra na sua vida.

    Bjs!

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  6. Ah, que bacana! Confesso que nao tenho lido como há tempos... Mas, essa história me tocou, vou procurar!
    Bjs!

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