quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dica de leitura - Os gatos


Um gato faz de um lar um lar; com um gato, 
um escritor não está só e, no entanto, está 
sozinho o bastante para trabalhar. Mais do 
que isso, um gato é uma obra de arte ambulante, 
dorminhoca e em constante transformação.


Nas minhas circuladas habituais pela Livraria da Travessa encontrei mais um livrinho sobre gatos na arara da L&PM. Gosto de recorrer aos pocket books, menores e mais leves, bons de levar na bolsa para ler o ônibus. Numa dessas araras, já havia descoberto O gato por dentro, do Willian Burroughs. Dessa vez, encontrei Os gatos, da Patricia Highsmith.

A autora texana, que eu ainda não conhecia, escreveu Strangers on a train, adaptado para o cinema por Hitchcock (Pacto Sinistro), e The talented Mr. Ripley, também adaptado em 1999, com Matt Damon no papel principal.

Os gatos é composto por três contos, três poemas, um artigo e algumas ilustrações. Os contos - "Presentinho do gato", "A maior presa de Ming" e "A casa de passarinho vazia" - são o melhor do livro, escritos sob os gêneros policial e estranho, com um mistério a ser desvendado e circunstâncias intrigantes. Esses textos seguem um estilo peculiar da autora (descrito na apresentação), que explora a perturbação psicológica dos personagens e a ausência de sentimentos de culpa. Os personagens felinos surgem sempre associados ao componente misterioso, provocando ou resolvendo os conflitos, e, no segundo e terceiro contos, parecem dotados de um saber inacessível ao homem.

Os poemas "O filhote", "O gato" e "O gato velho" não chegam a ter valor artístico, mas constituem suaves descrições das fases da vida felina:

Às vezes as noites são claras
E fico louco de tanta solidão
E suplico à lua e escuto
E vou onde ouvir uma resposta

O artigo "Sobre gatos e estilos de vida" discorre sobre a companhia dos bichanos, seu comportamento, sua diferença dos cães e sobre o aparente fascínio que exercem sobre escritores e intelectuais.

O livrinho, de leitura leve e rápida, é um belo presente para os amantes dessa charmosa espécie.



7 comentários:

  1. Ahh fiz um comentário, mas apagou.. sniff
    Queria dizer que adoro os pocket books, muito mais práticos!
    E adorei a indicação, se encontrar, vou levar^^
    beijão

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  2. Nossa adorei a dica! Eu, sinceramente, prefiro cachorros mas é interessante saber um pouco mais sobre gatos.
    Beijos :)

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  3. Eu adoro essa autora!!Vou ler Os gatos!!

    bjs,Aline Aimée!

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  4. Faz tempo que quero ler esse livro.
    Tenho uma verdadeira biblioteca felina em casa.
    Sonhei com você!!! que nós estávamos em uma viagem de escola, vê se pode?
    bjks!

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  5. Eu amo qualquer tipo de animal. Mas esses felinos são meus preferidos, tenho dois gatinhos lindos ( Fred e Mr. Gray).
    Vou tentar adquirir esse livro, sem falar que é pocket, minha nova paixão^^

    Abraço felino!
    E.A
    www.escrevedoraamadora.blogspot.com

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  6. Amo você e seu blog/vlog. Tenho um incipiente: http://noitesemfim2.blogspot.com.br

    Escrevi um pequeno conto sobre gatos. Vou pôr aqui:
    "Acordava e ia dá uma olhada no quintal. Ia ver se os gatinhos filhotes já estavam com a doença.
    Acho que no meu quintal tem uma espécie de verme, de germe, ou: uma Maldição.
    De um gato que tínhamos no quintal, surgiram três, quatro, sete, dez. Chegou uma hora que não sabíamos mais quantos eram ao certo.
    No nosso quintal, os gatos e as galinhas conviviam lado a lado.
    Às vezes as galinhas chocavam seus ovos, às vezes eram as gatas que embuchavam.
    Os gatos mais velhos tinham os olhos esbugalhados. Salientavam-se os olhos até, numa manhã, caírem.
    A maldição se repetia sempre: os filhotes cresciam, seus olhos começavam a inchar: saltavam o máximo que podiam, e aí caíam. Ficava só o buraco ressecado e vazio no lugar.
    Manhãs após manhãs, eu abria um pouco a janela da cozinha e constatava a perpetuação da maldição.
    Nossas roupas eram lavadas e estendidas lá. 'E se nós pegássemos a maldição também?'
    Durante as refeições, todos à mesa, eu ficava olhando os olhos de todo mundo: do meu pai, da minha mãe e dos meus irmãos. Tinha medo que eles pegassem. Impedia-os de irem ao quintal. Ficava na porta choramingando até eles voltarem.
    Eu mesmo nunca pisei no quintal.
    Eu era o único que não ia ao quintal.
    Eu tinha medo deles, mas é porque eu não sabia o que eles tinham. Sentia-me seguro longe deles."



    [Era só desconhecimento; não era maldade!]

    "Agora, acho que nunca mais vou poder chegar perto de gato algum. Com ou sem olhão."

    A. Ambrósio

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