quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dica de leitura - Rimbaud e Jim Morrison: os poetas rebeldes



Quando pesquisamos um pouco sobre o The Doors, acabamos, eventualmente, esbarrando em alguma alusão ao poeta francês Rimbaud. Toquei nesse assunto com a Renata num almoço e ela me indicou esse livro que comprei por um precinho ótimo na Estante Virtual. Fanzoca que sou da banda e do poeta, devorei-o em dois dias, ficando ávida por reler e escutar os trabalhos desses artistas em busca das possíveis coincidências.

O autor do livro, Wallace Fowlie, protagonizou um episódio deveras intrigante. Professor de literatura francesa da Duke University, nos EUA, lançou nos idos anos de 1966 uma tradução para o inglês da obra completa do poeta francês Arthur Rimbaud, um dos mais controversos e comentados poetas da modernidade.

A edição obteve considerável êxito, a ponto de alguns anos mais tarde Fowlie receber, entre inúmeras cartas, a de um certo cantor de rock, um tal de Jim Morrison. Apesar do sucesso meteórico que os The Doors faziam na época, o professor nunca havia ouvido falar naquele jovem que, como tantos outros, agradecia-lhe pela tradução, uma vez que não dominava bem o francês e adorava Rimbaud. Após descobrir quem era o ilustre remetente, Fowlie passou a se interessar cada vez mais pela vida e obra de Jim, percebendo inúmeros pontos de contato com o poeta francês.

O resultado dessa constatação foram diversos cursos e palestras proferidos desde os anos 80 sobre as aproximações entre os dois, que afinal passaram ao papel com a publicação do livro Rimbaud e Jim Morrison: os poetas rebeldes.

De fato, não é tão difícil apontar semelhanças entre o vocalista de uma das maiores bandas da história do rock e o adolescente que redefiniu os rumos da poesia francesa do final do século XIX. Apesar dos quase cem anos que os separavam, foram ambos transgressores que, vivendo cada minuto intensamente, em confronto com a lei e os padrões estabelecidos, deixaram extravasar todo o furor da juventude em obras verdadeiramente revolucionárias, que mexeram com a sociedade de suas épocas e arrebanharam milhares de fãs ao longo dos anos. 

Fowlie traça uma biografia interessante de cada um, conjugando os pontos mais relevantes com os mais curiosos e mapeando os mitos que se formaram em torno deles. Faz também uma boa análise de algumas de suas principais obras, como Uma temporada no inferno, obra-prima de Rimbaud, e vários dos versos mais célebres de Jim. Tudo num tom simples e pessoal, de quem quer apenas expor suas idéias, como um bom fã e estudioso dos dois poetas. Nesse ponto, o livro ganha muito: a leitura é agradável e fluida, com consistência porém sem academicismos.

No entanto, talvez por receio de parecer didático demais, Fowlie acaba não se aprofundando, optando por  não confrontar diretamente a obra poética de cada autor. Com isso, a leitura ainda continua bastante válida para os amantes de música e literatura, sobretudo por ser muito informativa, mas a questão central a que se propõe permanece um ponto pendente.

3 comentários:

  1. Menina.....Eu quero e preciso desse livro urgenteeeee...

    Adoro Rimbaud, e Jim Morrison nem se fala...

    Bjinhos Mayara Lopes
    Pensa se eu fosse rica!!!/

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  2. Eu não me lembro de ter lido algo do Rimbaud, mas amo Jim Morrison! Gosto muito do Boudelaire.Bjo (e amei sua correntinha de máquina de escrever! vc está linkada em meu blog!)

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