quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dica de leitura - O grande Gatsby


Gosto de orientar minhas leituras por intensivões. Foi assim com os beats, com Bukowsky, com Jane Austen e mais uma pá de gente - escolho um autor ou tema e leio o máximo que posso, que encontro ou que suporto, dependendo da minha identificação com o escriba. Creio que dessa forma consigo inserir as leituras numa noção contextual mais bem ajambrada.

O intensivão da vez é com a geração perdida dos anos 1920, que aproveitava o melhor da arte e da boemia em Paris. Literariamente falando, as opções se resumem a Hemingway (de quem já li alguma coisa; O velho e o mar, a propósito, é um dos livros mais fodas que já li), James Joyce, que conheci na faculdade com o famigerado Ulisses, e Fitzgerald, de quem ainda não havia lido nada.  Pela emoção do ineditismo, decidi começar por este último, com O grande Gatsby, aproveitando que está para sair uma nova adaptação com Leonardo de Caprio, Carrey Mulligan e Tobey Maguire.

O romance é narrado em primeira pessoa pelo personagem Nick Carraway que conta suas impressões a respeito do vizinho rico Jay Gatsby e da alta sociedade com que ele convive. O grande tema do livro é o sonho americano de riqueza e prosperidade bem como toda a sujeira, falsidade e solidão que se escondem por trás desse estilo de vida. E é no charmoso protagonista Gatsby que a ilusão desse cenário tomará corpo.

A apresentação de Gatsby, em consonância com o contexto nebuloso que o autor busca descortinar, é vaga, imprecisa, conferindo-lhe uma aura de mistério. Esse clima onírico do personagens e das reuniões descritas dialoga bem com a distância entre as expectativas dos sonhos dos personagem e a realidade. É interessante que Fitzgerald escolhe as festanças do milionário, com toda a sorte de personagens loucos e acontecimentos absurdos, para enumerar as farsas da sociedade americana de então. 

Outro aspecto notável são os relacionamentos travados entre os personagens, que se afastam completamente  de uma abordagem fácil ou cliché, oscilando entre o desrespeito descarado e o entrave indissolúvel.  

A linguagem do romance é refinadíssima, bem como suas metáforas e comparações utilizadas. Andei lendo umas resenhas que afirmaram o contrário, mas o texto me agradou muitíssimo, a tradução da minha edição (não estou com ela aqui agora, mas creio que é do Círculo do livro) foi muito bem feita. Fitzgerald criara um verdadeiro clássico, elegante na forma e pertinente e ousado no tema. 

Tentarei assistir à adaptação para o cinema de 1974, com Mia Farrow e Robert Redford.

7 comentários:

  1. Olha só!

    Semana passada assisti o 'Meia-noite em paris' e fiquei morrendo de vontade de ler algo a respeito dessa época, daí fui correndo para a livraria e comprei 'O grande Gatsby'. Será minha próxima leitura e espero que corresponda as expectativas!

    beijinhos Aline!

    ResponderExcluir
  2. Olá, primeiramente quero lhe parabenizar pelo lindo blog!
    Quanto ao livro, eu o li já faz algum tempo e simplesmente adorei, a frase final é uma das minhas favoritas de sempre :)

    Beijos
    http://garotadelugarnenhum.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  3. Também estou lendo Fitzgerald porque o filme Meia Noite em Paris me instigou a buscar essa "era dourada". Ainda não sei se gosto...
    Abraço

    ResponderExcluir
  4. Line, to lendo um livro sobre burgueses e boemia, e me deu vontade de reler isso tudo!! Também acho O Velho e o Mar um dos livros mais fodas já escritos e essa galerinha da década de 20 é a melhor. Teria sido amiga de todos numa boa kkkkkkkkkkkkkkkkk
    Beijos
    Tati

    ResponderExcluir
  5. A bolsinha é um encanto e gostei de conhecer seu filho preto. Ele não é tão aparecido quanto o Lenny

    ResponderExcluir
  6. Aline, como professora de Literatura de Língua Inglesa que sou/fui (!) aqui em SLZ-MA, o Fitzgerald nunca saiu do meu programa; vale a pena ler o livro sim, que inclusive fala do tal American Dream da época - a razão de Jay Gatsby querer se tornar rico (muito embora a riqueza seja de origem suspeita) porque foi rejeitado por Daisy em prol de um marido rico, que tanto a ignora...Mas tb vale a pena ver o filme com a Mia Farrow e o Robert Redford; inclusive acho difícil o Leonardo deCaprio fazer uma versão melhor do Gatsby do que a que foi feita pelo Redford rsss Abraços pra vc! Adoro seu blog :)

    ResponderExcluir
  7. Eu também quando gosto de um autor, quero ler todos os livros dele! Gostei do termo intensivão! rs

    Esse livro está no meu projeto de leituras para esse ano!

    Abraço!

    ResponderExcluir