segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O império da eloquência

Há algum tempo, sustento que a eloquência move mais multidões que a coerência. Conheci todo o tipo de patifes que com um discurso belamente aprumado erigia os absurdos mais evidentes, angariando um séquito fiel. Aninhados em nosso sagrado direito de evitar a fadiga mental, deixamos-nos iludir pela segurança de bons palestrantes. Afinal, se o colega fala assim tão bonito e com tanta certeza, deve saber o que está dizendo. E assim engolimos uma bela balela, quentinha em sua rima não cognata.

Fico toda desconfiada ao esbarrar com esses profetas da verdade absoluta. Reflexões mais inquietantes e profícuas também podem surgir nas falas mais discretas e hesitantes de quem não quer pagar de messias e ainda está tentando entender como as coisas funcionam . É claro que tudo depende do resultado pretendido.  Hoje, ser bem sucedido vale mais que ter entendimento. A ética perdeu o valor na pós-modernidade em detrimento de mentiras plásticas, reluzentes em sua conveniência parcial. Esclarecimento e cooperação não atraem tanto a atenção dos homens quanto estar por cima da carne seca.

Abaixo, um excerto lido no Facebook da Tatianne, que me serviu bem de conclusão a esse pensamento que me assoma de quando em quando:

A melancolia e o estilo sofredor de ser não estão mais na moda, como acontecia entre os das gerações existencialistas e beat dos anos 40, 50 e 60. Da mesma forma, as pessoas com estilo retraído, reflexivo e sonhador não se coadunam mais com a moral vigente de exaltação do eu e do exibicionismo. A mundaneidade pós-moderna valoriza os carreiristas e oportunistas, que sabem utilizar os meios de se exibir e de capturar o olhar dos outros, independente de qualquer valor. Daí a existência de certo conservadorismo político no universo pós-moderno, na medida em que a modernidade sempre foi associada à ética da ruptura e da utopia em oposição ao barateamento exibicionista - Joel Birman

7 comentários:

  1. delícia de texto para começar o ano... =D
    pena que aqueles que deveriam ser por ele tocado, não entenderão um terço do que está escrito!
    c'est la vie!

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  2. Bem interessante o post, me deixou pensativa.
    Adoro o blog da Tati, ela é uma querida!

    Beijos!

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  3. penso tanto nisso! vou publicar no meu face, tá? algumas pessoas precisam desse recadinho. desse e do da mel. essa é uma discussão tão, mas tão longa...

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  4. Ai amiga, honestamente eu acho que devíamos nos unir e formar uma comunidade bem longe dessas pessoas. Eu tento ficar imune, racionalizar, mas tem horas que machuca, atravessa o coração de uma forma louca e agressiva. Assim como a publicidade muitas vezes reveste um produto ruim em uma embalagem chamativa, essas pessoas se revestem de palavras difíceis que não querem dizer nada. E são sucesso de vendas. Nojo, muito nojo!!
    Beijo enorme,
    obrigada por existir! é lendo pessoas como você que minha fé na vida se mantém.
    Tati

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  5. Os valores estão se perdendo de geração em geração, é fato!
    Bom ano pra ti.
    Beijinhos
    Nai Melo

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  6. E eu acho q de patife é o que mais se vê porra aí. Tá complicado aturar muita coisa na sociedade, um dia eu berro na rua, e vc vai ouvir! hahahaha
    bjkassssssss

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  7. Muito bem dito - e a Tati é uma querida!
    Aff, tenho nojo desse auto deslumbramento de tanta gente por aí.
    Tento ficar bem longe.

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