quarta-feira, 17 de julho de 2013

Borges rendendo histórias absurdas

Lá em Buenos Aires, nos programamos para visitar algumas das casas onde o Borges morou. Alguns endereços que tínhamos eram furados e davam em lugar nenhum. Tudo bem! Que seria de uma peregrinação borgeana sem labirintos e caminhos malfadados? No Microcentro, na rua Maipu, há uma placa indicando uma de suas antigas moradas, mas como a região estava em obras e é muito movimentada, foi difícil fazer boas fotos.



Em Palermo, há o solar da antiga Calle Serrano, hoje Jorge Luis Borges, onde fiz as fotos abaixo. 



Fomos num sábado, dia da feirinha de artesanato na Praça Julio Cortázar, e estavam servindo uísque de graça na rua. O bairro é bem hipsterzinho e agradável e abriga o Planetário, o Museu Xul Solar e a Papelera Palermo. Nesse dia, almoçamos uma pizza excelente numa cantina cuja dona, uma senhorinha pequenina, fumava e assistia a um jogo de futebol xingando.




Seguíamos tranquilos em busca do endereço, até que o encontramos. Fizemos as fotos clássicas, em frente à porta e à plaquinha, relembramos alguns contos e poemas, e comentávamos o quão chato deve ser para o cabeleireiro do salão ao lado (Maldito Frizz. Que ótimo esse nome!) essa gente doida sempre parando ali em frente. Será que alguns leitores aficionados, uma vez saídos de seu enlevo fanático, decidem dar uma aparada nas pontas ou adotar o mullet portenho? Vá saber!

Eis que, no intervalo de aproximadamente um minuto, uma van branca pára e uns seis caras, a maioria orientais, saltam e, simplesmente, invadem a nossa foto e a nossa conversa, sem qualquer cerimônia, posicionando-se e revezando-se para os mesmos cliques que fizemos. Foi tudo pá-pum! Salta-desce-fotografa-reveza-volta-pra-van-e-sai-voado! E a gente meio, "oi, o que foi isso meldeus?". Tipo, não rolou nem uma contemplação, conversinha, uma lágrima ou emoçãozinha que fosse. Nadica! Os caras pularam de volta na van e seguiram rumo à próxima atração.


E nós boquiabertos, trocando olhares apalermados e tendo certeza do que o outro estava pensando: nossa peregrinação nerd acabara de ganhar os ares mais absurdamente borgeanos. Gracias, Buenos Aires, pela bizarrice alcançada! ♥

3 comentários:

  1. Ai Line, turista asiático é uma comédia mesmo. Eles têm um jeito todo peculiar de viajar. Nos museus eles não olham os quadros: simplesmente sacam aquelas super máquinas fotográficas, focam, clicam e partem para outro. Isso sem falar no fato de andarem sempre em grupos rsrsrs É muito engraçado mesmo!
    Imagino sua emoção passeando por esses lugares onde Borges passou e viveu! E como você consegue ser estilosa em viagens hein? Admiro demais!
    Beijo!

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