segunda-feira, 9 de setembro de 2013

AM, dos Arctic Monkeys - um disco pop e safadinho

Desde Humbug, os Arctic Monkeys vêm se mostrando interessados em testar novas sonoridades. AM, último disco da banda que vazou na semana passada, inova ao mesclar uma série de referências: efeitos de glam rock, guitarras que evocam o Black Sabbath, batidas e vocais de inspiração groove, pop, e ainda um pouco das levadas aceleradas que transpiram a presença de Josh Homme e seu Queens os the Stone Age.

O disco é bastante eclético, justapondo faixas muito pesadas, como "R U Mine" e outras mais dançantes como "Snap out of it". Há ainda as envolventes baladinhas que Alex Turner sabe fazer tão bem, apesar da pose de mau que tem adotado (e que acho bastante forçada, para dizer a verdade).

A composição do álbum parece ter resultado da audição de muita música dos anos setenta, tanto quando fica no terreno do rock como quando se aventura em searas mais dançantes. Uma das maiores surpresas, inclusive, é o uso da bateria eletrônica em canções como "Fireside" - escolha interessante considerando que um dos melhores recursos da banda é a batera de Matt Helders. Eles, no entanto fazem um bom uso do instrumento, como na pop e sexy "Why'd you only call me when you're high". "Knee Socks", por exemplo, é um dos momentos em que a banda vai mais longe do que já fez. A faixa  lembra, nos arranjos e nos vocais, algumas das melhores coisas do Bowie e parece ter sido criada para brilhar na pista. Há também "One for the road", que  passeia pelo groove, trazendo baixo e vocais que não devem nada para as boy bands ou um Justin Timberlake da vida, e "Snap out of it", que muito se assemelha ao indie pop do Foster the People.

Quando a banda transita nas referências roqueiras, a influência setentista também comparece. Uma das melhores do álbum, "Mad Sounds", que combina guitarra molemente dedilhada, órgão, o "uh la la la la" dos vocais, a pandeirola e o vocal delicado de Turner, soa como Lou Reed purinho. Além disso, "Arabella" tem as guitarras chupadas de "War Pigs", enquanto "I want it all" toma os acordes finais de "I want you (she's so heavy)", do Abbey Road, e os executa à maneira dos Queens of the Stone Age.

AM cruza tantas referências óbvias que algumas faixas chegam a soar como mashups ou covers. É um bom álbum, apesar da dificuldade em classificá-lo. Ou talvez esse traço seja parte da sua riqueza. Se no que diz respeito ao estilo, a banda mostra que não está interessada em se repetir ou em manter as expectativas de seu público, por outro lado, a originalidade das faixas é posta em xeque na medida em que elas soam como algo já ouvido antes. É um disco todo felino, sinuoso, sensual, tanto quando carrega nas guitarras como quando é mais eletrônico e dançante. Não é o melhor do quarteto, quando considerado no todo, mas é versátil, surpreendente e cheio de cartas na manga. Não é único, como o amor da sua vida, mas é charmoso, como um bom amante.


"Arabella" e as guitarras a la War Pigs, do Black Sabbath


"Why'd you only call me when your high" - Essa podia ser facilmente uma música do Justin Timberlake



"Mad Sounds", uma das bonitas, soa como uma balada de Lou Reed

2 comentários:

  1. Estava ansiosa por este lançamento e gostei bastante do resultado. Fiquei uma semana toda ouvindo Do I Wanna Know que você não colocou no post, mas que é a minha preferida por enquanto hehehe. Beijos!

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  2. Como disse uma fã certa vez no youtube: o Alex era mais legal quando não sabia que era :D rs. Sabe, eu gosto dele, acho a sua voz incrível mas é aquilo que você colocou no texto, ele ultimamente anda cheio de marra e caras e bocas. Acho essas atitudes exageradas e estranhas.
    Sobre o album, a música que mais gostei foi a 'Do I Wanna Know', simplesmente viciante!

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