terça-feira, 5 de novembro de 2013

Beautiful places to dream about


Tirei duas semanas de férias para repor as energias, dar um descanso para o meu corpitcho convalescente. Como estou fazendo um curso e juntando uma graninha, resolvi ficar por aqui mesmo e fazer uns passeios pelo estado.  O último deles foi em Niterói, onde visitei o MAC (que ainda não conhecia) e o Solar do Jambeiro.

O mais legal do MAC é mesmo o prédio e a localização, já que as exposições não me empolgaram tanto. A vista de lá é um espetáculo, e o almoço (excelente!) no bistrô parecia estar acontecendo num disco voador. Sim, minha idade mental é doze anos e sou dada a associações esdrúxulas. :P



Quem ganhou meu coração mesmo foi o Solar do Jambeiro, nem tanto pela única exposição que havia (a outra esta sendo desmontada), mas pela beleza do lugar. Construído em 1872 por um comerciante português que nunca o habitou, o solar foi vendido ao diplomata dinamarquês Georg Christian Bartholdy, que o alugou algumas vezes e só foi residir lá, de fato, em 1920, período em que empreendeu uma reforma. Antes, a casa abrigou exposições e funcionou como colégio de freiras.


Não se sabe quem iniciou a brincadeira, mas foi tradição entre os moradores escrever mensagens nos vidros das janelas. Há passagens em várias línguas e de várias datas, algumas revelando a tristeza e a amargura da senhora Celina Olga, esposa de Bartholdy. Lembrei das assinaturas que os hóspedes deixavam nas camas, portas e armários da colônia de férias que eu costumava frequentar quando criança, em Miguel Pereira. E fiquei pensando nessa senhora, triste e desolada, perambulando por esse amplo palacete, caminhando por seu fresco jardim, escorando-se nas janelas em busca de algum alívio no calorzinho ameno da manhã... Fiquei pensando em seus lamentos ecoando pelos espaços, na sua alma  sôfrega vagando por aqueles elegantes cômodos, sem experimentar real conforto. Seus anseios, seus medos, suas angústias cicatrizados em rabiscos toscos, para sempre, na história do Solar.


azulejos portugueses pintados à mão

as paredes são revestidas de tecido

salão de entrada que mais parece um cômodo da casa do Gritos e Sussurros








A casa ficou abandonada durante anos, e os moradores da região afirmam que ela costumava ser invadida para encontros sexuais e até bailes funks (curtindo o batidão com requinte). Ela foi tombada em 1974 e depois desapropriada pela prefeitura de Niterói em 1997, que hoje cuida de sua manutenção e reformas. Os últimos herdeiros tiveram a coragem de leiloar não só a casa, mas todos os seus móveis, quadros e objetos de decoração! A casa não foi arrematada porque as ofertas foram consideradas baixas.
Atualmente, o palacete exibe exposições, peças, concertos. A programação pode ser consultada aqui. Abaixo, alguns quadrinhos fofos de uma exposição que estava em exibição no térreo.




8 comentários:

  1. lindo o passeio... estou precisando tirar férias também, mas as minhas serão lááá para março do ano que vem. adoro passeios como o seu, pontos turísticos, coisa antiga... os azulejos são lindos!!! *_*
    bjs.
    www.feufolandia.blogspot.com

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  2. ;) do ladinho da minha casa.

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  3. Olá Aline,
    Navegando pela net, acabei chegando aqui :)
    Que lugar bonito! Os azulejos portugueses pintados á mão lindos, coisa de artista mesmo!
    bjs e ótimo final de semana pra vc

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  4. Fiquei encantada com os teus passeios. O segundo lugar é lindo demais.
    bjos

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