sábado, 23 de novembro de 2013

She & Him - Volume 3



A galera gosta de marretar a Deschanel porque ela virou o clichê meigo-cupcake-polka-dot da década, mas a real, aceitem ou não, é que a bicha sabe fazer música. Ela pode interpretar a si mesma na maioria dos filmes, entediar muita gente com a personagem "adorkable" Jess, na série que produz, mas os fatos estão aí. Com exceção dos covers (que, particularmente, considero adoráveis) Zooey Deschanel escreveu todas as músicas dos três deliciosos álbuns do She & Him. 

Deliciosos, sim, meus caros. Quando digo que meu beatle favorito é o Paul e que venero Brian Wilson, isso tem um significado: melodias são o meu fraco, e McCartney e Wilson são, reconhecidamente, grandes compositores de melodias. Fiz essa digressão para explicar por que os discos do She & Him me soam tão agradáveis: melodia, my friends! Melodia da boa! Zooey franjudinha pode não ser uma letrista extraordinária (e ainda assim está bem longe de ser medíocre), mas faz ótimas melodias, com suas referências retrôs, folks, ensolaradas. Seu ídolo é o já citado Brian Wilson, o que ajuda a entender a sonoridade de boa parte de suas músicas. Não bastassem os arranjos, coros e metais típicos dos Beach Boys, há ainda uma reprise de "I could've been your girls" nesse último disco que é uma clara referência a "Unrelesead background", do álbum Pet Sounds.

M. Ward, a outra metade da dupla, empenha sua experiência como produtor musical em dar uma forma sofisticada e convidativa às composições de Deschanel. As faixas, no entanto, soam bastante familiares já que emulam a música de outros tempos sem arriscar uma releitura atualizada desses ritmos. As canções são belas e contagiantes, mas sua sonoridade não é nenhuma novidade - o que não tem de ser necessariamente ruim. Não estamos morrendo de amores por "Get lucky" e "Lose yourself to dance", claras homenagens do Daft Punk ao Michael Jackson dos anos 1970?

E ainda que o forte do She & Him sejam as melodias, Deschanel consegue imprimir bastante originalidade no universo pop-retrô que integra. Ela, que já havia dito que "Orpheus melted the heart of Persephone / But I never had yours" num disco anterior, agora canta que "I'm stronger than the picture that you took before you left / In the light it faded to white", em "Turn to white", e também afirma que "We all go through it together / But we all go at it alone", em "Together".




Essa última ilustra bem o hábito da dupla de adornar músicas de términos e decepções com melodias agitadas e viciantes. Na animada "I've got your number son", Zooey explica: "What's a man without all the attention? / Well he's just a man" e completa "Who am I without all your affection / I'm a nobody too".



Acontece que nas 13 faixas de Volume 3 Zooey está provando que não é uma ninguém quando está só. Este é o primeiro álbum da dupla após Zooey se divorciar do líder do Death Cab for Cutie, e,  se ela trata de situações tristes com ritmos empolgantes, não há nada de contraditório nisso, já que suas letras sempre caminham para uma mensagem resiliente e de auto-superação que casa perfeitamente com a energia sonora das faixas.

O povo alternativo anda com preguiça de gente feliz-fofinha e acha mais classudo chorar as misérias do mundo e as derrotas pessoais em posição fetal. Eu bem gosto de uns dias felizes na vida, e, embora o "Unkown Pleasures" seja um dos meus discos favoritos, não curto passar todo o meu tempo chafurdando na depressão. A música, aliás, é a única das artes capaz de modular nosso estado de espírito quase instantaneamente, e é ótimo que haja artistas, como o She & Him, empenhados em contribuir com a nossa vontade de ficar bem.

12 comentários:

  1. primeiro post que vejo sobre essa dupla, conheci-os em uma festa de casamento da minha de uma colega, a '' trilha sonora '' do casamento dela foi com as músicas deles. Não sou um fã deles, mas tenho algumas músicas deles e as ouço principalmente antes de dormir. Como você disse, a melodia é o forte deles. Abraços :)

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    1. Casamento com a música deles? Uau, fiquei curiosa! Uma que adoro é "I thought I saw your face today".

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  2. Amei sua resenha-crítica do CD.
    Já vou colocar pra tocar aqui em casa \o/

    bjo no seu <3

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  3. Meu marido é desses que marreta a Zooey, não pela vibe fofinha, mas por conta da voz. Confesso que talvez o timbre dela seja o ponto mais frágil. mas se ela tivesse uma vozinha meiga fofa talvez azedasse o cupcake. Eu a-d-o-r-e-i o Volume 3, é o disco que me fez gostar de praticamente todas as faixas, as chorosas são ótimas (turn to white é meu despertador) mas as animadas são especialmente ÓTIMAS. Adorei sua resenha pq agora tenho argumentos que nunca tinha pensado - eu apenas gostava, e ponto, hehe. Beijão, sua linda.

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  4. Ai Aline, adorei a sua resenha!! Minha opinião é bem próxima da sua, ainda não ouvi o Volume 3, tô perdendo tempo!
    E posso matar uma curiosidade? O que você acha da Clarice Falcão?
    Beijo!

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    1. Não conheço muito essa moça. Ouvi uma ou outra coisa e achei cute e engraçada. Até postei aqui. :)

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  5. Nossa, adorei seu texto!!!! Concordo muito!!! Essa necessidade de ser alternativo ao extremo cansa... Cada um com sua felicidade, focices e esquisitices... haha!!! Amooo a Zooey!! Vou comprar o volume 3, melodias deliciosas como vc disse...

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  6. Adoro os 2 primeiros álbuns do She & Him, mas ainda não baixei esse. Adorei a tua crítica, vou baixar agora! E, apesar de ser sempre a fofinha-adorável-quero-essa-franja, eu não consigo tirar meus olhos da moça; adoro.

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    1. Mesmo na série em que todo mundo marreta pq ela interpreta a si mesma, rio de doer a barriga. Só tem freak naquele seriado. Adoro! E eu gosto muito dos três discos!
      Beijo, querida!

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