quarta-feira, 28 de maio de 2014

Soneto XXIV

Mine eye hath play'd the painter and hath stell'd
Thy beauty's form in table of my heart;
My body is the frame wherein 'tis held,
And perspective it is best painter's art.

For through the painter must you see his skill,
To find where your true image pictur'd lies,
Which in my bosom's shop is hanging still,
That hath his windows glazed with thine eyes.

Now see what good turn eyes for eyes have done:
Mine eyes have drawn thy shape, and thine for me
Are windows to my breast where-through the sun

Delights to peep, to gaze therein on thee;
Yet eyes this cunning want to grace their art,
They draw but what they see, know not the heart.


Meus olhos, qual pintor, tua beleza
Retrataram no escrínio de meu peito;
Meu corpo é a moldura em que está presa:
Na arte da perspectiva fui perfeito.

Pois através do artista diligente
Vês onde jaz tua imagem fina:
Na loja de meu peito está pendente
E teus olhos reluzem na vitrina.

Uma troca de olhares que bem faz:
Meus olhos te pintaram, são os teus
Janelas de meu peito onde se apraz

O sol a te espreitar nos antros meus.
Mas os olhos têm sua restrição:
Pintam o que veem, não o coração.

William Shakespeare
Tradução: Ivo Barroso

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