quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[TAG] Educação Sentimental

A Tati linda me indicou para responder essa TAG criada pelo Bruno, do blog O Espanador, e, embora eu a  tenha achado interessantíssima, achei-a um tanto difícil de responder. Mas vamos lá! Ela consiste na descrição dos romances que contribuíram com a minha educação sentimental.

Dom Casmurro - Machado de Assis

Dom Casmurro me marcou muitíssimo. Capitu foi, para mim, um exemplo de independência emocional e controle. Lembram que, quando adolescentes, fora ela quem melhor disfarçara no dia em que quase foram surpreendidos se beijando? Em adulta, ela era segura, charmosa, enigmática e ótima economista doméstica — um verdadeiro exemplo. Nunca tive dúvidas de que ela era diva enquanto Bentinho não passava de um bunda-mole.


Sonetos - Florbela Espanca

Muito da minha educação sentimental é reflexo das minhas leituras de poesia, que em grande parte envolvem eu-líricos intensos e inseguros que mergulham de cabeça nas coisas e que são consumidos febrilmente por esse sentimento. Diversos poemas da Florbela são assim e me identifico muito com eles, embora busque dosar esse tipo de rompante, para o bem dos envolvidos. Os poemas, então, tem um caráter catártico.







Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Madame Bovary - Gustave Flaubert

Madame Bovary foi um romance que li cedo e que me causou uma impressão muito forte. Sofri junto com a Emma. Toda a sua concepção de amor era influenciada pelos romances românticos e rocambolescos que ela lia, e ela estava fadada à insatisfação. Era uma mulher inconsistente e nada — roupas, bailes, casos amorosos — era capaz de suprir o seu vazio ou aplacar o seu tédio. Sedenta de emoção, arriscava-se sem medo, saindo sempre desiludida e enxovalhada. Um exemplo do que não fazer e de como não ser, narrado por aquele lirismo encantador de Flaubert.

Vou taguear a Denise, a Luara e a Patrícia.

3 comentários:

  1. Muito bom esse post! Ele me deixou pensando e cheguei à conclusão de que não tive quase nenhum livro que me marcou 'romanticamente' na adolescência.
    Só consegui me lembrar de 2. Um foi Tristão e Isolda, mas acho que li uma versão infanto-juvenil adaptada/resumida e que me deixou aquela lembrança da angústia do casal que quer estar junto, como se fossem morrer se vivessem separados. Era de apertar o coração de qualquer garotinha de 13 anos.
    E o outro foi Amar, verbo intrasitivo do Mário de Andrade. Acho que li muito novinha para entendê-lo, mas me marcou bastante aquele sentimento que o protagonista chamava de amor e que não deixava claro se era uma ilusão, uma paixonite e o pior foi a dúvida que ficou se esse amor era correspondido ou não. Esse está na minha lista para reler. XD

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  2. Ah Line, adorei suas respostas! Florbela também me marcou muito, aprendi também a dosar esses rompantes (às vezes é difícil hahahaha).
    Sim, Capitu diva <3 Isso é tão evidente que mesmo o narrador sendo o Bentinho ele não consegue esconder!
    Gostei do que você disse sobre Bovary ser um exemplo a não ser seguido... acho que ela me influenciou nesse sentido mesmo, porque foi através dela que consegui enxergar várias coisas que aconteciam ao meu redor e com as quais não concordava!
    Beijos!

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  3. Eu não tinha visto suas respostas ainda!
    Bentinho é o clássico filhinho da mamãe, né?
    E preciso ler Madame Bovary (que eu sempre confundo com A Dama das Camélias...rs)
    bjo

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