terça-feira, 9 de setembro de 2014

Wishlist de aniversário: um pouco de minimalismo

Sempre que meu aniversário se aproxima, incorro num exercício de reavaliação e balanço do que vivi até então e de como tenho vivido nos últimos tempos. Uma questão que sempre se apresenta é a da acumulação e do consumo. Isso é algo que me incomoda há bastante tempo exatamente porque é parte da minha rotina.

É fato que compro muito menos que antigamente, mas volta e meia me vejo arrependida e revoltada com compras inúteis e precipitadas. No que diz respeito a vestuário, tenho sido mais comedida, além de passar bastante coisa adiante - hábito que prezo e busco cultivar. Sapatos são um verdadeiro fetiche e os últimos quatro pares que comprei online ficaram apertados nessa lancha ao fim da minha perna que responde pelo nome de pé. Minha sapateira está em estado calamitoso, mesmo depois de eu ter doado mais de vinte pares de sapatos, no que concluímos que, sim, parar de comprar sapatos seria bem sensato.

Livros podem ser considerados investimentos, mas, nessa área, até que sou bem parcimoniosa porque acumular livros sem lê-los aumenta a minha ansiedade. Quando compro um livro que não entra para a lista dos imprescindíveis, busco presenteá-lo a alguém ou disponibilizá-lo para trocas no Skoob.

Outro tipo de tentação em que incorro são os objetos de decoração. Pesa, nesse caso, o fato de que sou muito caseira e, como vivo encastelada, ideias de decoração fofa pululam na minha mente, provavelmente daquela gavetinha da memória onde estão arquivadas as fotos imensamente inspiradoras do tumblr. Tendo a estabelecer uma relação lúdica com certos objetos e estar cercada de coisas bonitas ajuda a aumentar a sensação de aconchego. Só que meu apartamento modesto não suporta mais nada. A menos que eu o queira à semelhança de um armazém asiático, ele está muito bem do jeito que está e, convenhamos, mais tranqueiras em casa são mais convites para que Ozzy, Penny e Loló as espatifem pelo caminho.

Fora que, na maioria das vezes, a necessidade dessas compras é ilusória. Não há nada mais fugaz e fugidio que a sensação de recompensa causada por uma compra precipitada. Cinco segundos depois, percebo que não precisava daquilo, ou que, sim, até é um objeto bem bonito e cheio de utilidades, mas eu poderia passar muito bem sem ele. Não é porque é lindo que preciso ter. E se cinco segundos depois, a tal compra perde seu sentido, dez segundos depois estou querendo ensandecidamente outra coisa qualquer que, não, não estou precisando.

Este não é um post lição-de-moral, o que vocês ou os outros estão fazendo não me diz respeito. Gastem suas verdinhas como bem lhes apetece. Esse é um post desabafo sobre a relação conflituosa que tenho com certo tipo de compras.

Por conta dessas reflexões, ando querendo ler mais livros ligados ao estilo de vida minimalista. Não acho que eu vá aderir ao minimalismo porque não tenho vocação para radicalismos, mas tenho simpatia pela ideia e penso que, talvez, esses textos possam me inspirar a ter mais consciência na hora de efetuar uma compra, além de me ajudarem a valorizar mais experiências não relacionadas ao consumo . São eles:



Livre - Cheryl Strayed

Sinopse do site da editora: Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, aos 26 anos, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. Em sua caminhada solitária, ela se deparou com ursos, cascavéis e pumas ferozes e sofreu todo tipo de privação.
Em "Livre, a autora conta como enfrentou, além da exaustão, do frio, do calor, da monotonia", da dor, da sede e da fome, outros fantasmas que a assombravam. “Todo processo de transformação pessoal depende de entrega e aceitação”, afirma. Seu relato captura a agonia, tanto física quanto mental, de sua incrível jornada; como a enlouqueceu e a assustou e como, principalmente, a fortaleceu. O livro traz uma história de sobrevivência e redenção: um retrato pungente do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor.

O livro aborda uma situação bem radical, num momento bastante dramático da vida da autora, mas pode ser ilustrativo da força interna que se descobre em meio à privação e à solidão. Mas não, não vou sair andando sozinha pelo país.

***



Walden - Henry David Thoureau

Sinopse da Wikipedia:  Walden ou A Vida nos Bosques é uma autobiografia do escritor transcendentalista Henry David Thoreau. A obra é considerada, simultaneamente, como uma declaração de independência pessoal, uma experiência social, uma viagem de descoberta espiritual e um manual para a autossuficiência1 .
Publicado em 1854, Walden é um manifesto poético contra a civilização industrial, que então ganhava força nos Estados Unidos. Diante da crescente complexidade da vida social estadunidense, derivada do crescimento exponencial da industrialização e urbanização, Thoreau, insatisfeito com o modo de vida na sociedade e procurando eliminar o desperdício e a ilusão deste , propõe o retorno ao simples.
Assim, inspirado pela filosofia do confucionismo, retira-se em 1845 para a floresta, onde constrói com as próprias mãos, sua casa e seus móveis, passando a viver com o mínimo necessário e em intenso contato com a natureza. Isola-se da sociedade, não por misantropia - posto que recebe visitas e também as retribui - mas com o propósito de obter uma maior compreensão da sociedade e de descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida1 .
Através dessa experiência, que durou dois anos vivendo em pleno contato com a natureza e com os livros, Thoreau pôde confirmar não apenas que uma vida simples e humilde é viável em termos financeiros, mas construiu uma nova visão, quase mística, do Homem.

Aqui também uma experiência radical, mas que pode inspirar pela força de vontade do escritor em mudar de hábitos.

***



Os Vagabundos Iluminados - Jack Kerouac

Sinopse do site da editora: Considerado por muitos especialistas e fãs da literatura beat como o melhor romance de Jack "On the road" Kerouac, Os vagabundos iluminados (The dharma bums) conta a história de uma busca pela verdade e pela iluminação. O protagonista, Ray Smith, é um aspirante a escritor de San Francisco que anseia por algo mais na vida. Esse algo mais será apresentado a ele por Japhy Rider – um jovem zen-budista adepto do montanhismo que vive com um mínimo de dinheiro, alheio à sociedade de consumo norte-americana.

Em meio a festas, bebedeiras, garotas, jam sessions, saraus poéticos, orgias zen-budistas e viagens, Os vagabundos iluminados – lançado nos Estados Unidos em 1958, apenas um ano após o estouro de On the road, e somente agora publicado no Brasil – é, sem dúvida alguma, uma obra à altura da sua irmã mais famosa. O estilo turbinado, superadjetivado e livre de Kerouac exala doses nunca vistas de humor, sabedoria e contagiante gosto pela vida. Temos aqui uma geração beat mais beatífica, mais otimista e mais tranqüila. Em suma: mais iluminada. 

Não só Kerouac, mas também os livros de Bukowski e Patti Smith sempre me impressionam com sua capacidade de viver com pouco. Kerouac era um místico sonhador, e não tenho certeza se ele achou o que procurava. Esse livrinho tem a promessa de ser o mais otimista em sua obra e, vejam só, ainda não o li. Sei que Bukowski tinha ideais de vida simples, mas não consigo decidir, ou entender, se o álcool era parte deles ou se o mantinha afastado deles. Patti, em Só Garotos, parece-me mais naturalmente desapegada, mais consciente de seus objetivos, mais obstinada — logo, mais inpiradora. 

Se vocês tiverem alguma dica de leitura sobre o assunto para me dar, estou aceitando. Se algum de vocês tem um desses livros e quer trocar por algum dos meus, confiram a minha lista de troca do Skoob.

UPDATE:
A Patrícia linda, do blog Alma do meu sonho, me mandou esses três livros em e-pub (mais o tão falado Pintassilgo) de presente. Gente, quanta gentileza, quanta doçura! Estou emocionada! Muito obrigada, Pati! Adorei! ♥

4 comentários:

  1. Line, também não tenho muita vocação para o minimalismo mas esse ano me deparei com essa necessidade e posso dizer: a gente se acostuma. Meu problema são os livros mesmo, roupa e sapato eu dei um tempo já faz um tempo e decoração eu desisti porque a decoração natural dos lugares onde moro é bagunça :P
    Gostei muito dos títulos que você indicou, os dois últimos já conhecia, mas o primeiro não!
    A minha dica não é um livro, é uma entrevista que considero inspiradora. Minha vida mudou depois que tive contato com a Débora. Tive a oportunidade de conversar com ela em uma ocasião na universidade e ela não é desse mundo. Sei que a situação em que ela vive é fronteiriça e diferente da nossa realidade mas acho que sempre que precisamos nos reinventar precisamos dar marretadas. Espero que goste:

    http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/11/missao-ebola-me-reinventei-marretadas.html

    Beijos!!

    ResponderExcluir
  2. Da pra viver com pouco é lógico, quem ganha 722 reais sabem muito bem disso! Mas vivemos em sociedade, e sociedade nos sugestiona o tempo todo com mil comportamentos, incluindo-se aí a ditadura da não ditadura da beleza.... E como vivemos de grana, consumir circula a grana, então a pressão é forte demais.
    Radicalismos também me incomodam, acho que extremos são arriscados e tiram o foco do problema
    Mas do outro lado da telinha, tem uma gastadora profissional e que ao contrario de você não se sente arrependida 5 minutos depois da compra, e tem tendencias fortíssimas a acumuladora.
    Acho que é importante acharmos o equilíbrio e questionar o consumo desenfreado e uma forma de puxar o fiel da balança

    ResponderExcluir
  3. Adorei o texto Aimée! Queria tê-lo escrito. Gente que escreve bem, viro fã! Bjão! =)

    ResponderExcluir
  4. Gostei do texto e das indicações... Valeu

    ResponderExcluir