quarta-feira, 29 de outubro de 2014

#ReadMoreShakespeare: Romeu e Julieta



Dada a popularidade de Romeu e Julieta, e o fato de que já fiz um vídeo imenso falando da peça, limitar-me-ei a tecer comentários bem breves sobre a peça nessa resenha, ok? Todo mundo meio que sabe que essa tragédia trata do amor entre adolescentes de famílias rivais, da cidade de Verona: Romeu é um Montecchio e Julieta, uma Capuleto.

Enumero, a seguir, alguns pontos que valem ser ressaltados. Em primeiro lugar,  Romeu e Julieta faz uma crítica à guerra civil e à violência que ela pode gerar. A rainha Elizabeth, assim como a dinastia Tudor, eram bastante hostis a duelos. Foi essa casa que se empenhou em centralizar o poder de modo a conter os excessos dos nobres. Nesse sentido, a peça tem um efeito trágico coletivo, visto que o esclarecimento acerca do mundo, que normalmente ocorre com os protagonistas na parte final, aqui acontece com as famílias, que se arrependem e decidem suspender a rivalidade.

No que diz respeito aos personagens, Julieta é uma moça forte: honrada, digna, certa de seus desejos, fiel e responsável. Ela pede que Romeu seja constante e leal, que não jure em vão e que se case. Ela não hesita diante das dificuldades, decidindo ficar junto de seu esposo mesmo após o banimento deste pelo assassinato de seu primo. Ela também é inteligente para a pouca idade. Suas falas demonstram maturidade e perspicácia. Romeu, por outro lado, vai amadurecendo ao longo da peça, e isso é evidenciado na linguagem de suas falas, que vai ficando cada vez mais requintada.

No tocante à forma, Shakespeare gostava de marcar passagens importantes da peça com mudanças na forma, como a metrificação dos versos e a rima. Nessa peça, ele marca o encontro do casal fazendo com que as catorze primeiras falas do diálogo do casal formem um soneto.

Romeu: Se a minha mão profana esse sacrário,
Pagarei docemente o meu pecado:
Meu lábio, peregrino temerário,
O expiará num beijo delicado.

Julieta: Bom peregrino, a mão que acusas tanto
Revela-me um respeito delicado;
Juntas, a mão do fiel e a mão do santo
Palma com palma se terão beijado.

Romeu: Os santos não têm lábios, mãos, sentidos?
Julieta: Ai, têm lábios apenas para a reza.
R: Fiquem os lábios, com as mãos unidos;

Rezem também, que a fé não os despreza.
Julieta: Imóveis, eles ouvem os que choram.
Romeu: Santa, que eu colha o que os meus ais imploram.

 A peça mescla elementos da comédia e da tragédia. Algumas falas cômicas e jocosas servem para contrastar com as falas elevadas e etéreas do casal. Nesse sentido, é um texto bastante rico. Há, também, inúmeras cenas dramáticas e diálogos fortes e poéticos que, no palco, devem conferir ainda mais força à peça.

No mais, Romeu e Julieta é uma história idealizada de amor à primeira vista, de esperança no amor eterno, e que tem um encanto todo particular.

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