segunda-feira, 13 de julho de 2015

Livros do Rock

Hoje é dia mundial do Rock, então decidi listar aqui alguns dos livros sobre esse estilo musical que mais fazem a minha cabeça.



Ponto Final - Crônicas sobre os anos 1960 e suas desilusões é uma coletânea de artigos que o jornalista Mikal Gilmore publicou na revista Rolling Stone. Para essa reunião, o autor buscou fazer um recorte que abrangesse artistas icônicos no que se referisse à transformação cultural dessa época: os escritores Allen Ginsberg, Hunter Tompson e Ken Kesey; o psiquiatra famoso pelas pesquisas com LSD, Timothy Leary; músicos como os Beatles, Bob Dylan, a banda Greatful Dead, Johnny Cash, Bob Marley, Pink Floyd, Led Zeppelin, The Doors, entre outros.

Suas narrativas descrevem os bastidores dos trabalhos mais importantes da década, revelando não só o brilhantismo e originalidade dessas pessoas, mas também o alto preço que pagaram por seu pioneirismo. Sanidade, saúde, segurança, liberdade, e em alguns casos, a própria vida - foi o que lhes custou a abertura de novos caminhos em arte e a sua assinatura na história. Gilmore dá especial atenção à importância do uso de psicoativos no processo criativo desses artistas, sem, no entanto, omitir as trágicas sequelas que eles sofreram.

Um  prato  cheio  para  admiradores dos anos sessenta e da cena roqueira.





Em Rimbaud e Jim Morrison: os poetas rebeldes, Wallace Fowlie traça uma biografia interessante do poeta francês e do frontman da banda The Doors, conjugando os pontos mais relevantes com os mais curiosos e mapeando os mitos que se formaram em torno deles. Faz também uma boa análise de algumas de suas principais obras, como Uma temporada no inferno, obra-prima de Rimbaud, e vários dos versos mais célebres de Jim. Tudo num tom simples e pessoal, de quem quer apenas expor suas idéias, como um bom fã e estudioso dos dois poetas. Nesse ponto, o livro ganha muito: a leitura é agradável e fluida, com consistência porém sem academicismos.




Só garotos, Patti Smith

Autobiografia que fez com que eu me apaixonasse pela Patti e por sua jornada em busca da vida de artista. Fiquei fascinada com a descrição de uma cena cultural tão rica e efervescente (os anos sessenta e setenta, meus favoritos musicalmente), com a força e obstinação da Patti, sua relação intensa e inusitada com Robert, tudo isso narrado com tanta sensibilidade e por uma pessoa tão autêntica.

Patti  teve a sorte  de  passar a juventude acompanhando o  surgimento e o auge de muitas  das minhas bandas e artistas  favoritos: Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Janis Joplin, The doors etc. E tudo isso é citado, já que eles embalaram vários momentos marcantes de sua vida. São momentos  de criatividade, amor, cumplicidade, trabalho, dificuldades, diversão, companheirismo, sempre experimentados com um pano de fundo cultural, composto de poesia, de  música e pelas pinturas de seus artistas favoritos.

Só garotos  é narrado com uma delicadeza comovente, ao mesmo  tempo em  que revela a extrema lucidez, força e inteligência de Patti.




Em Paz, Amor e Sgt. Pepper - os bastidores do disco mais importante dos Beatles, o produtor George Martin descortina os bastidores das gravações, com base em seus diários pessoais. O mais fascinante nesse livro é o processo de produção daquelas viagens sonoras. Lançado em 1966, "Sgt. Pepper's Lonely Heatrs Club Band" é considerado um divisor de águas por inovar em inúmeros aspectos: letras psicodélicas, lirismo, crônica e análise social, ironia, além dos recursos sonoros mais insuspeitados no universo pop, como a mistura de estilos antigos e contemporâneos, atonalidade, associação de cordas e instrumentos indianos, do rock com a música clássica, o resgate do vaudeville ou o uso de órgãos a vapor e músicas de carrossel. O álbum é peculiar ao ponto de a banda nunca ter executado nenhuma de suas músicas ao vivo, pelo menos não da maneira como elas foram gravadas.

O livro busca desfazer alguns mitos, bem como explica certos pontos obscuros relativos às letras. Sir George Martin é um gentleman e busca se deter nas questões técnicas e artísticas. Quando faz observações de ordem afetiva ou histórica, procura fazê-lo com respeito — o que não o impede de usar um pouquinho da ironia fina britânica, que acaba dando graça ao relato.

Paz, Amor e Sgt Pepper é um livro valioso: tem importância documental, ao oferecer um olhar privilegiado sobre um dos álbuns mais importantes da história da música.

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E você, que livros sobre rock me recomenda?

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