sábado, 26 de setembro de 2015

Uma charrete com dois cavalos

Uma combinação de existencialismo, logoterapia auto aplicada e instrução me ajudam a manter certo equilíbrio. Insights intelectuais, no entanto, não bastam para que a serenidade permaneça. 

Há algo de muito profundo e arraigado na nossa mente que tenta nos arrastar de volta para as neuroses anteriores. Por isso, as escolhas existenciais que fazemos exigem reafirmação contínua. 

Isso ficou muito claro na biografia da Simone e do Sartre. E é uma questão que intrigou a filosofia muito antes dos postulados de Freud. São Paulo e Santo Agostinho já discutiam o embate bondade/castidade x pecado, e Platão descrevia a alma humana como uma charrete com dois cavalos.

Porque não é divino, o homem não consiste de pura vontade. E porque não é irracional, não está preso à mera obediência dos instintos. A liberdade de escolha é também um fardo porque a opção de não escolher não se verifica (não escolher ou deixar-se oprimir são escolhas, em certa medida). 

Ser humano é travar uma luta atrás da outra (contra o mundo, contra si mesmo...). E me pergunto quanto de protagonismo somos capazes de alcançar no exercício diário de controlar nossos cavalos.

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